Ela olhou para os nós dos dedos machucados dele, os olhos sem sono, o homem que a assustara desde o momento em que o viu e que, ainda assim, colocara o jato, o cartão e a porta à sua frente. O poder escolhido livremente era mais sedutor do que o poder roubado. Essa era a verdade final sobre ele.
Em vez de recuar, Amelia ergueu a mão e tocou a lateral do rosto dele, o polegar roçando o hematoma abaixo da maçã do rosto.
“Não me faça me arrepender disso”, sussurrou ela.
A mão dele fechou-se delicadamente em torno de seu pulso, não para aprisionar, apenas para segurar.
“Nunca”, disse ele, e pela primeira vez ela acreditou que ele falava sério, mesmo que o mundo ao seu redor fosse sombrio demais para a pureza.
Quando ele a beijou, não foi a marca dolorosa de um captor selando um acordo. Foi calor, exaustão, adrenalina e reconhecimento colidindo após uma noite que os transformara. Amelia retribuiu o beijo porque o medo já havia se dissipado e porque desejar poder não lhe parecia mais um pecado.
Seis meses depois, Nova York sussurrou um novo nome: o de Dominic Russo.
Não porque Amelia Reed frequentasse galas ou posasse ao lado dele para fotógrafos. Ela não fazia isso. Visibilidade, ela aprendera...
d, era mais eficaz quando racionada.
Mas as apreensões alfandegárias dobraram nas rotas adjacentes às de Petrov. Dois corredores de tráfico desapareceram. Uma rede corrupta da autoridade portuária em Newark desmoronou depois que documentos anônimos chegaram às mãos do governo federal. A empresa de transporte marítimo Russo adquiriu três empresas de logística legítimas e uma startup de segurança cibernética em Boston. Uma divisão de inteligência privada, diziam os rumores, havia sido construída por uma mulher que ninguém jamais enxergou com clareza e que ninguém ousou subestimar duas vezes.
Em um escritório com paredes de vidro, no alto do Rio Hudson, Amelia debruçava-se sobre um mapa interativo e reescrevia o protocolo de criptografia para um império que estava aprendendo, lentamente e sob protestos, como sobreviver ao futuro que ela exigia.
Ela não olhava mais para o chão quando os homens falavam.
Ela não se vestia mais para desaparecer.
E sempre que uma sala cheia de pessoas perigosas confundia seu silêncio com fragilidade, ela os deixava.
Era útil.
Afinal, a pessoa mais silenciosa da sala geralmente ainda era a que melhor a entendia.
FIM
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