Eu estava parada do lado de fora de uma padaria com minha filha faminta de 5 anos quando um Mercedes preto levantou uma poça aos nossos pés e parou. Então minha tia baixou a janela, olhou para mim como se tivesse visto um fantasma e perguntou por que eu não estava morando na casa que ela havia me dado.
— Mamãe, minha barriga dói. — Emma disse tão suavemente que, de algum modo, isso doeu ainda mais.
Ela ficou ao lado do meu colchão no abrigo feminino com as mãozinhas pressionadas na barriga, cabelo embaraçado do sono, meias que não combinavam porque meias combinando haviam deixado de ser importantes há muito tempo.
Eu alcancei debaixo da cama a lata amassada onde eu vinha guardando o pouco que conseguia do meu trabalho lavando pratos em um restaurante perto da estação de ônibus. Sacudi-a uma vez, ouvi um chacoalhar triste e contei as cédulas.
Havia o suficiente para algo pequeno, se eu fosse cuidadosa.
Depois que David se foi três anos antes, fui até meus pais com Emma no colo e uma mochila na mão. Minha filha acabara de completar dois anos.
Minha madrasta, Marjorie, cruzou os braços antes mesmo de eu terminar de perguntar.
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