— Não podemos continuar carregando suas falhas. Vá embora!
Meu pai não a deteve.
Então eu trabalhei onde pude. Noites lavando pratos, Emma na sala de funcionários com livros de colorir, eu checando nela a cada 20 minutos ainda com sabão nas mãos.
Não era uma vida. Era sobreviver aos pedaços.
O abrigo nos acolheu. Entrei segurando uma bolsa de fraldas, uma criança sonolenta e aquele tipo de vergonha que te faz querer desaparecer.
O lugar era um mundo de camas de metal, paredes finas, banheiros compartilhados, um bebê chorando dois beliches adiante, alguém discutindo no corredor sobre sabão em pó, e o cheiro permanente de água sanitária e cobertores úmidos.
Você aprende coisas em um abrigo que ninguém ensina em outro lugar, como sorrir enquanto seu coração está arrastando pelo chão e chamar um quarto de “lar” porque seu filho precisa dessa palavra.
Saímos para o ar frio e úmido. Emma pulou uma poça e pisou direto na próxima.
Ela diminuiu a marcha diante da vitrine de uma padaria, a respiração embaçando o vidro enquanto olhava para pãezinhos de canela e um pequeno bolo rosa com arabescos no topo.
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