— Mamãe — ela sussurrou — eu ficaria feliz só com um biscoito.
Essa frase quase me fez cair de joelhos. Agachei-me e coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha dela.
— Acho que podemos conseguir algo melhor que um biscoito hoje, querida.
Os olhos dela se arregalaram.
— Sério?
Levantei-me, peguei sua mão e nos dirigimos à porta.
Então um Mercedes preto passou voando pela calçada e atingiu uma poça funda. A água respingou nas minhas calças e encharcou os sapatos de Emma. O carro freou bruscamente. Uma mulher saiu de salto, correu até nós pedindo desculpas, e então congelou quando chegou perto o suficiente para ver nossos rostos.
Ela tirou os óculos escuros oversized.
— Kate? — ela respirou.
— Tia Evelyn?
A irmã falecida da minha mãe olhou do meu rosto para os tênis molhados de Emma e para os punhos desgastados do meu casaco.
— Meu Deus, o que você está fazendo na rua? Seus pais não te contaram sobre a casa que eu te dei?
— Que casa? — perguntei, confusa.
Todo o rosto dela mudou.
Acabamos entrando na padaria porque a garoa havia recomeçado. Emma se encostou na vitrine como se fosse Natal. Minha tia pediu o bolo de morango, um biscoito de chocolate, chocolate quente para Emma e café forte para si mesma sem olhar os preços.
Emma dava pequenas mordidas cuidadosas no bolo, como se tentasse fazer a alegria durar mais. Minha tia a observou por um segundo, depois olhou para mim.
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