“Por favor, finja que me ama”, ela sussurrou — e o CEO milionário entrou na brincadeira.

“Alguém pegou. Eu encontrei há anos e guardei.”

Ela piscou. “Mas por quê?”

Seus olhos se demoraram na fotografia, depois voltaram para ela.

“Porque a garota daquela foto”, disse ele baixinho, “me salvou.”

Ella prendeu a respiração.

Ela abriu a boca para perguntar o que ele queria dizer, mas algo em seu tom a silenciou.

Não era a hora.

Ainda não.

Ela recolocou o porta-retratos no lugar e deu um passo para trás. A sala parecia diferente agora, como se uma porta invisível tivesse se aberto entre eles, uma porta que nenhum dos dois ousara se aproximar até aquele momento.

Mais tarde naquela noite, enquanto se preparava para sair, Damian apareceu no corredor com uma pequena caixa nas mãos. Estava embrulhada de forma simples. Sem fita. Sem cartão.

Ele estendeu a caixa para ela.

"O que é isso?", perguntou ela.

"Abra", disse ele.

Dentro, aninhadas em papel de seda branco, havia um par de sapatilhas de balé. Não eram daquelas compradas em loja, produzidas em massa. Eram feitas à mão, elegantes, feitas para apresentações.

Do tamanho dela.

Perfeitas.

Sua mão tremia enquanto ela pegava uma.

Ela olhou para ele, com os olhos arregalados.

"Damian."

Sua voz era suave.

"Você costumava voar, Ella."

Ela o encarou, com o coração acelerado.

"Você vai voar de novo."

As lágrimas vieram antes que ela pudesse contê-las. Silenciosas a princípio, depois incontroláveis.

Ele deu um passo à frente sem hesitar e a abraçou. Ela enterrou o rosto em seu peito, ainda segurando as sapatilhas em uma das mãos, e chorou como não chorava há anos.

Pela menina que ela costumava ser.

Pelo menino que ele fora um dia.

Pelo caminho estranho e belo que os trouxera de volta um para o outro.

Ele a abraçou com mais força.

Sem palavras.

Sem fingimento.

Apenas a verdade.

Parte 3

A chuva caía forte naquela noite, embaçando o para-brisa com riscos prateados. O carro de Damian deslizava pelas ruas molhadas, seus faróis projetando longas sombras no asfalto liso.

Ella sentou-se ao lado dele em silêncio, ainda com um leve brilho da festa daquela noite, seu vestido azul captando raios de luz da cidade enquanto passavam sob os postes de iluminação. A noite fora perfeita, quase suspeitamente perfeita.

Pela primeira vez em anos, ela rira livremente. Sua mão repousara na de Damian sem fingimento. Os beijos que compartilhavam não eram para inglês ver.

Ela começara a acreditar em algo novamente.

Nele.

Mas a perfeição, ela diria.

Depois pensei: sempre havia a calmaria antes da tempestade.

O primeiro flash veio da lateral. Brilhante demais. Repentino demais.

Paparazzi.

Outro clarão de luz branca.

E outro.

Damian cerrou os dentes.

"Segurem-se."

Um SUV preto fez uma manobra brusca atrás deles.

Perto demais.

Eles não estavam mais apenas fotografando.

Estavam perseguindo.

"Por que estão nos seguindo assim?", perguntou Ella, com a voz embargada pelo medo.

"Eles querem uma história", murmurou Damian, acelerando um pouco. "Farão qualquer coisa por ela."

Outro flash. Mais perto.

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