“Se eu for embora e eles já souberem de você, você ficará sozinha.”
“Eu já estive sozinha.”
As palavras o silenciaram.
Então Dominic disse baixinho: “Não mais.”
Ava se abraçou.
“O que você quer?” “Venha comigo.”
Ela o encarou.
“Para Nova York?”
“Para uma propriedade segura fora da cidade. Westchester. Ninguém mexe naquela casa.”
Ela riu, mas não havia humor em sua risada. “Você quer que eu leve meu filho para o seu mundo para protegê-lo do seu mundo?”
“Sim.”
“Pelo menos você entende o quão insano isso soa.”
“Eu entendo. Também sei o que acontece se DeLuca ficar desesperado.”
Ava olhou para o corredor, onde Noah dormia.
Dominic suavizou a voz.
“Eu juro, ele não verá nada. Nada de negócios. Nada de violência. Nenhum homem armado na sala de estar. Ele terá espaço, tutores se precisar, tudo o que você pedir.”
“E quando a ameaça passar?”
Dominic hesitou.
Ava percebeu.
“É isso”, disse ela.
“Eu não quero perdê-lo.” “Você nunca o teve.”
Seus olhos brilhavam, embora nenhuma lágrima caísse.
“Eu sei.”
Por um longo momento, a casa só continha o zumbido da geladeira e o canto distante das gaivotas lá fora.
Então, uma vozinha veio do corredor.
“Mãe?”
Ava se virou.
Noah estava parado ali, de pijama de dinossauro, esfregando um dos olhos.
Seu olhar se voltou para Dominic.
“Você é o homem de ontem.”
Dominic se agachou lentamente, se encolhendo.
“Sim.”
Noah o observou.
“Você é meu pai?”
Ava prendeu a respiração.
Dominic olhou para ela primeiro.
Ele esperou.
Essa espera foi o único motivo pelo qual ela não pediu que ele fosse embora.
Ava fechou os olhos.
Então, assentiu com a cabeça.
Dominic se virou para Noah novamente.
“Sim”, disse ele, com a voz embargada na menor palavra. “Sou eu.” Noah ponderou sobre isso.
Então perguntou: "Você gosta de tubarões?"
Dominic emitiu um som que era quase uma risada e quase um soluço.
"Eu não sei muito sobre tubarões."
"Tudo bem", disse Noah seriamente. "Eu posso te ensinar."
Parte 3
Ava concordou em sair de Beaufort antes do meio-dia.
Ela se odiava por isso.
Ela odiava Dominic por fazer sentido.
Ela odiava o SUV preto que chegou, com vidros escuros e um motorista que parecia educado demais para ser inofensivo. Ela odiava arrumar as malas dos livros favoritos de Noah enquanto fingia que aquilo era uma "aventura". Ela odiava o jeito como seu filho ficava lançando olhares furtivos para Dominic, como se tentasse memorizá-lo antes que ele desaparecesse.
Dominic ficou do lado de fora enquanto ela arrumava as malas.
Ele não insistiu.
Ele não deu ordens.
Ele apenas ficou perto da varanda, falando baixinho ao telefone, virando o corpo para que Noah não visse a arma sob o paletó.
Mas Ava viu.
Claro que viu.
Na propriedade em Westchester, tudo era exatamente como ela temia e nada como esperava.
A casa era enorme, mas sem ostentação, construída em pedra cinza em uma colina atrás de portões de ferro. Havia câmeras escondidas nas árvores, guardas vestidos como jardineiros e uma longa entrada que fazia a fuga parecer impossível.
Mas lá dentro, Dominic havia mudado as coisas.
O quarto de Noah estava decorado em tons suaves de azul e verde, com lençóis de dinossauro, prateleiras de livros, materiais de arte e um enorme aquário brilhando em um canto.
Noah pressionou as duas mãos contra o vidro.
"Mamãe", ele sussurrou. "Peixes."
Ava olhou para Dominic.
Ele estava parado na porta, com as mãos nos bolsos.
"Perguntei ao Marcus do que as crianças gostam", disse ele.
"Você perguntou ao Marcus?"
"Ele tem sobrinhas."
Apesar de si mesma, Ava quase sorriu.
Quase.
Os primeiros dias foram tensos. Ava dormia no quarto de Noah, num sofá-cama. Dominic nunca lhe pedia para dormir em outro lugar. Tomava café da manhã com eles somente depois que Ava permitia. Respondia às perguntas de Noah com honestidade cuidadosa.
"Por que você tem desenhos nas mãos?"
"Eles me lembram de coisas."
"Coisas boas?"
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