“Você carrega tudo isso.”
Essas palavras quase o destruíram.
Talvez fosse por isso que ele a destruiu antes que ela pudesse salvá-lo.
A acusação veio em uma quinta-feira chuvosa.
Uma grande aliança com a família DeLuca em Chicago desmoronou da noite para o dia. Nomes, rotas de transferência de dinheiro, empresas de fachada, datas e rastros de pagamentos foram vazados para uma quadrilha rival. Milhões desapareceram. Dois homens da família Russo foram presos. Um desapareceu.
O escritório de Dominic ficou silencioso como uma casa fica silenciosa antes de um funeral.
Ava foi chamada às 20h17.
Dominic estava sentado atrás de sua mesa. Marcus estava perto da janela. Dois outros homens guardavam a porta.
Ava soube, antes mesmo que alguém dissesse algo, que sua vida havia acabado.
“Os documentos vieram da sua estação de trabalho”, disse Marcus.
“Isso é impossível.”
Dominic a observou. “É mesmo?”
Ava deu um passo em direção a ele. “Dominic.”
Seus olhos brilharam ao ouvir seu primeiro nome na frente de seus homens.
Ela parou.
“Sr. Russo”, corrigiu-se, e algo dentro dela se quebrou. “Eu não fiz isso.”
“Você tinha acesso.”
“Marcus também. Seus contadores também. Qualquer pessoa com autorização também.”
“Os registros de acesso apontam para você.”
“Então foram plantados.”
Marcus exalou pelo nariz. “Conveniente.”
Ava se virou para ele. “Você me conhece.”
“Não”, disse Dominic.
Ela olhou para ele novamente.
Sua voz era baixa e mortalmente calma.
“Achei que sim.”
Ela queria contar a ele naquele momento.
O teste de gravidez ainda estava embrulhado em papel higiênico dentro de sua bolsa. Ela o fizera naquela manhã no banheiro feminino do trigésimo oitavo andar, depois sentara-se na tampa fechada do vaso sanitário, tremendo, sorrindo e chorando silenciosamente com as mãos no rosto.
Um bebê.
O bebê de Dominic.
Ela planejava contar a ele depois do trabalho. Não porque acreditasse que seria fácil, mas porque uma parte imprudente dela ainda acreditava que o amor poderia torná-lo corajoso.
Agora ela via a verdade.
O amor o havia assustado.
E o medo o havia tornado cruel.
"Se você assinar o acordo", disse Marcus, colocando os papéis sobre a mesa, "sairá daqui com a rescisão do contrato e em silêncio. Se não assinar, a situação ficará ainda pior."
Ava encarou Dominic.
"Diga alguma coisa", sussurrou ela.
Dominic não se mexeu.
"Por favor."
Seus olhos se voltaram para os papéis.
"Assine, Ava."
Foi então que ela soube.
Não que ele acreditasse que ela fosse culpada.
Não.
Pior.
Ele queria acreditar.
Porque se ela fosse uma traidora, perdê-la seria justiça. Se ela fosse culpada, então seu coração não teria sido tolo. Se ela o tivesse traído, ele não precisaria admitir que tinha pavor de amá-la.
Ava sentou-se.
Pegou a caneta.
Sua mão foi até a barriga uma última vez.
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