O chefe da máfia a demitiu enquanto ela escondia o bebê dele — seis anos depois, um olhar para o filho a destruiu.

Ela assinou.

Então se levantou, pegou a bolsa e caminhou até a porta.

Dominic falou atrás dela.

“Ava.”

Ela parou.

Por um instante, quase se virou. Quase contou tudo a ele. Quase disse: Estou grávida. Estou com medo. Eu te amo. Não me faça passar por isso sozinha.

Mas então se lembrou do rosto dele quando disse para assinar.

Então continuou andando.

E Dominic Russo deixou a mãe de seu filho desaparecer na chuva.

Parte 2

Seis anos depois, Ava Carter morava em uma casa azul a três quarteirões da orla em Beaufort, Carolina do Norte, onde ninguém sabia que ela um dia amara o homem mais perigoso de Nova York.

Agora, ela atendia pelo nome de Ava Parker, usando o sobrenome de solteira da mãe. Administrava o escritório de uma pequena seguradora marítima. Preparava o lanche da escola, pagava as contas em dia, recortava cupons quando se lembrava e mantinha um taco de beisebol ao lado da cama, porque a maternidade lhe ensinara que o medo podia se tornar prático.

Seu filho, Noah, tinha cinco anos e era observador demais para lhe trazer paz de espírito.

Ele tinha os olhos cinzentos de Dominic.

Essa era a primeira coisa que todos notavam.

"Que homenzinho sério", diziam estranhos.

Ava sorria e respondia com leveza: "Ele puxou a mim".

Era mentira.

Noah herdou a quietude de Dominic. Herdou o jeito como ele observava o ambiente antes de entrar. Herdou a pequena ruga entre as sobrancelhas quando estava pensando. Herdou o hábito de fazer perguntas que pareciam simples, mas que a atingiam em cheio.

"Mãe", perguntou ele numa terça-feira, enquanto alinhava dinossauros de brinquedo por tamanho, "por que eu não tenho pai?" Ava parou abruptamente na pia da cozinha.

Eles já haviam conversado sobre isso antes, mas nunca com facilidade.

“Algumas famílias são diferentes”, disse ela.

“Eu sei. Mas eu precisava chegar até aqui de alguma forma.”

Ela quase riu. Quase chorou.

“Sim, meu bem. Você tem um pai.”

“Onde ele está?”

“Longe.”

“Ele me conhece?”

Ava fechou a torneira.

“Não”, disse ela com cautela. “Ele não me conhece.”

Noah olhou para cima. “Por quê?”

“Porque eu tinha medo de que ele te visse como uma fraqueza.

Porque ele partiu meu coração antes que eu pudesse dizer a ele que o seu existia.

Porque eu escolhi a sua segurança em vez da possibilidade de que ele pudesse te amar.”

Em vez disso, Ava enxugou as mãos e se ajoelhou na frente dele.

“Porque os adultos às vezes fazem escolhas quando estão com medo”, disse ela. “E às vezes essas escolhas são complicadas.”

Noah estudou o rosto dela. “Ele te assustou?”

A garganta de Ava se fechou.

“Às vezes”, admitiu ela. “Mas não do jeito que você pensa.”

Naquela noite, depois que Noah caiu

Ava ficou parada na porta do quarto dele, observando-o respirar.

Ele dormia com uma das mãos sob a bochecha, os cílios escuros contrastando com a pele morena, o tubarão de pelúcia aconchegado contra o peito. Ele era inocente, seguro, intocado pelo mundo do qual ela havia fugido.

Ela tinha feito a coisa certa.

Ela precisava acreditar nisso.

Em Nova York, Dominic Russo passou seis anos se tornando exatamente aquilo que todos temiam que ele fosse.

Depois que Ava o deixou, ele se endureceu.

Os homens que antes sussurravam que ele havia se tornado mais fraco pararam de sussurrar completamente. Os negócios se expandiram. Os inimigos desapareceram. A Russo Capital comprou prédios, políticos, juízes e silêncio.

Mas na cobertura acima do Central Park, Dominic guardava uma coisa escondida em uma gaveta trancada.

O contrato de rescisão de Ava.

A assinatura dela havia desbotado um pouco com o tempo.

Ele olhava para o contrato com mais frequência do que jamais admitiria.

Três anos depois de demiti-la, ele descobriu a verdade.

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