O chefe da máfia a demitiu enquanto ela escondia o bebê dele — seis anos depois, um olhar para o filho a destruiu.

O vazamento não partiu de Ava. A informação veio de Elliot Crane, um analista júnior que Marcus contratou sob pressão dos DeLucas. Elliot inseriu informações em um servidor privado e manipulou os registros de acesso para fazer Ava parecer culpada.

Dominic descobriu tarde demais.

A essa altura, Ava Carter já havia desaparecido.

Sem endereço para contato. Sem telefone ativo. Sem rastros bancários que ele pudesse seguir sem expor muita coisa. O irmão dela alegava não saber onde ela estava e parecia tão apavorado que Dominic acreditou nele.

Por três anos, Dominic a procurou.

Em silêncio, a princípio.

Depois, obsessivamente.

Ele dizia a si mesmo que só queria se desculpar. Depois, dizia a si mesmo que queria ter certeza de que ela estava viva. Então, parou de mentir.

Ele a queria de volta.

Ele queria o impossível.

A ligação chegou numa manhã úmida de sexta-feira.

Marcus estava no escritório de Dominic, mais velho agora, com os cabelos mais grisalhos nas têmporas.

"Nós a encontramos", disse ele.

A mão de Dominic apertou a xícara de café.

"Onde?"

"Carolina do Norte. Cidade litorânea. Ela usa Parker agora."

Dominic se levantou.

Marcus hesitou.

"Tem mais."

Dominic olhou para ele.

Marcus colocou uma fotografia sobre a mesa.

Mostrava Ava do lado de fora de uma escola, com os cabelos mais curtos agora, o rosto mais suave e forte ao mesmo tempo. Ela ria para um menino que segurava sua mão.

Dominic sentiu o mundo girar.

O menino tinha cabelos escuros.

Pele morena.

E olhos Russo.

"Quantos anos?" perguntou Dominic.

A voz dele não parecia a sua.

"Cinco."

O escritório ficou em silêncio.

Dominic encarou a fotografia até que as bordas se desfocassem.

Cinco.

Ava tinha ido embora seis anos atrás.

Grávida.

Sozinha.

Demitida pelo homem que deveria tê-la protegido.

Dominic sentou-se lentamente, como se seus ossos tivessem esquecido como sustentá-lo.

Marcus não disse nada.

Pela primeira vez, nem ele tinha defesa.

Dominic voou para a Carolina do Norte naquela noite.

Sem comitiva. Sem SUVs pretos descendo a rua principal como uma invasão. Apenas um carro alugado, uma mala de viagem e um medo tão agudo que parecia uma lâmina cravada sob suas costelas.

Ele encontrou a casa ao pôr do sol.

Revestimento azul. Varanda branca. Sinos de vento. Uma bicicleta infantil tombada na grama.

Era dolorosamente comum.

Era tudo o que seu mundo não era.

Dominic ficou parado do outro lado da rua por dez minutos antes de se mover.

Então a porta da frente se abriu.

O menino saiu primeiro, carregando um pote com furos na tampa. Ele se agachou perto do canteiro de flores, sério e cauteloso, examinando algo na terra.

Dominic esqueceu como respirar.

O menino olhou para cima.

Seus olhares se encontraram.

Dominic já tinha visto homens morrerem sem pestanejar. Já encarara armas, promotores, rivais e fantasmas.

Mas o rosto daquele menino quase o fez cair de joelhos.

"Oi", disse Noah.

Dominic abriu a boca.

Nada saiu.

Noah inclinou a cabeça. "Você está perdido?"

Antes que Dominic pudesse responder, Ava apareceu na varanda.

"Noah, querido, o jantar está quase pronto—"

Ela parou.

O pote escorregou da mão de Noah e caiu suavemente na grama.

O rosto de Ava empalideceu.

Dominic viu seis anos a atingirem de uma vez. O escritório. Os papéis. A chuva. O segredo que ela carregava consigo.

“Noah”, disse ela, com a voz embargada. “Entre.”

“Mas mãe—”

“Agora.”

O menino olhou da mãe para Dominic. Algo dentro dele entendeu o suficiente para obedecer. Pegou o pote e entrou, embora o rosto permanecesse colado à janela.

Ava desceu os degraus da varanda lentamente.

“Você não deveria estar aqui”, disse ela.

Dominic mal conseguia desviar o olhar da janela.

“Ele é meu.”

O queixo de Ava se ergueu.

“O nome dele é Noah.”

“Ele é meu”, repetiu Dominic, desta vez com a voz embargada.

“Não”, disse ela. “Ele é meu. Você perdeu o direito a essa palavra quando me expulsou do seu escritório como se eu fosse lixo.”

Dominic estremeceu.

Ótimo, pensou Ava.

Ela queria que ele sofresse.

Ela queria que ele sofresse por cada febre que ela havia tratado sozinha, por cada cheque do aluguel que ela temia que voltasse, por cada artesanato do Dia dos Pais que ela havia escondido em uma gaveta porque Noah não sabia para quem dar.

“Você estava grávida”, disse Dominic.

“Sim.”

“Você não me contou.”

Ava deu uma risada fria e cortante. “Quando, Dominic? Antes ou depois de você me acusar de te trair? Antes ou depois do seu chefe de segurança me ameaçar? Antes ou depois de você me dizer para renunciar ao meu silêncio?”

“Eu estava errada.”

“Eu sei.”

“Descobri há três anos.”

“Parabéns.”

Os olhos dele se fecharam.

“Eu te procurei.”

“Você não deveria ter me encontrado.”

“Eu tenho um filho.”

Ava se aproximou, a voz baixa. “Você tem um filho biológico que viveu cinco anos sem você porque, da última vez que confiei em você, você escolheu a suspeita em vez de mim.”

Dominic olhou para a janela novamente. Noah se abaixou, fingindo mal não estar olhando.

"O que ele sabe?" perguntou Dominic.

"Que o pai dele está longe."

"Ele pergunta sobre mim?"

"Claro que pergunta sobre você", respondeu Ava, irritada. "Pergunta por que você não vai às peças da escola. Pergunta se você gosta de tubarões. Pergunta se você sabe que ele existe."

A expressão de Dominic mudou.

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