"Perder a atenção", respondeu Scott, estendendo a mão para ela. "Venha comigo."
Ele a guiou de volta para o corredor com a mão gentil, porém firme, em seu braço, e Penelope sentiu olhares fixos neles enquanto atravessavam as portas de vidro. Taylor os viu primeiro do outro lado do espaço, e a expressão em seu rosto passou de preocupação a choque absoluto em segundos, seus olhos se arregalando tanto que pareciam prestes a saltar das órbitas enquanto um sorriso enorme e incrédulo se formava.
Posy estava alguns metros à frente, rindo com as duas amigas que haviam testemunhado a humilhação mais cedo, provavelmente ainda se deliciando com a crueldade, quando Scott parou bem na frente dela.
"Ah, Posy", disse ele, e o nome dela saiu como se tivesse um gosto ruim. "Sempre um prazer tão especial."
A irmã de Penelope se virou rapidamente, o vinho quase derramando de sua taça, e Penelope viu o pânico brilhar antes que a máscara de sedução se formasse.
"Scott", Posy praticamente ronronou, o sorriso sedutor se ativando instantaneamente. "Eu não sabia que você estaria aqui esta noite."
Era uma mentira tão óbvia que até as amigas dela pareceram constrangidas.
Scott apenas sorriu com um ar de superioridade.
"Tenho certeza", disse ele secamente, e então voltou toda a sua atenção para Penelope de uma forma tão deliberada que a rejeição era impossível de ignorar. "Você conhece sua irmã, Posy. Penelope."
Ele pegou a mão de Penelope enquanto falava, segurando-a entre as suas de um jeito íntimo demais para ser casual e público demais para ser ignorado.
Posy olhou para Penelope como se a visse pela primeira vez, os olhos percorrendo o vestido horrível antes de voltarem para Scott com uma confusão mal disfarçada.
"Claro", disse ela com condescendência automática. "Minha irmãzinha."
O veneno na palavra fez o corpo de Penelope se contrair, mas Scott apenas sorriu, com um sorriso ainda mais ameaçador.
"Fascinante", disse ele.
A pausa que se seguiu foi longa o suficiente para que várias pessoas próximas interrompessem suas conversas.
"Porque eu estava justamente planejando convidar a mulher mais interessante de todo este salão para dançar."
O silêncio foi absoluto. As amigas de Posy pararam de rir. Várias pessoas olhavam agora com curiosidade, e Posy congelou completamente.
Scott se virou para Penelope, ainda segurando sua mão.
"Penelope", disse ele suavemente, carregado de intenção, "você me daria a honra desta dança?"
Penélope olhou para ele, completamente confusa por dois segundos, seu cérebro se recusando a processar. Então ele piscou, rápido e conspiratório, aquele pequeno sorriso deixando suas intenções claras.
Vingança social, executada com precisão cirúrgica.
Penelope entendeu, e algo selvagem dentro dela, cansado de ser humilhado, decidiu que sim, ela queria aquilo.
"Eu adoraria", disse ela, com a voz firme enquanto colocava a mão na dele.
O salão inteiro parecia observar enquanto eles caminhavam até a pista de dança, onde uma música lenta começou com uma sincronia cinematográfica perfeita. Scott a posicionou cuidadosamente, uma mão em sua cintura, respeitosa, mas firme, a outra segurando sua mão delicadamente.
"Respire", disse ele baixinho. "Apenas me siga."
"Eu não sei dançar", confessou Penélope em pânico.
“Eu sei”, respondeu Scott com um tom divertido na voz. “Confie em mim.”
Eles começaram a se mover, e Penelope tropeçou imediatamente, quase pisando nele. Tropeçou novamente segundos depois.
Scott riu baixinho, o som genuíno.
“Relaxa. Todo mundo está muito ocupado assistindo sua irmã ter um aneurisma ao vivo para prestar atenção nos seus pés.”
Penelope olhou, e a cena valeu a pena. Posy estava vermelha, tão vermelha que parecia febril. Suas mãos estavam cerradas em punhos, e seu copo estava abandonado. Suas amigas cochichavam furiosamente, olhando de Posy para elas.
Do outro lado do corredor, Taylor estava com o celular erguido, claramente filmando, com um sorriso enorme no rosto. Ao lado dela, um homem alto apareceu, observando Scott com divertimento.
“Sua amiga é uma gênia”, disse o homem em voz alta o suficiente para Taylor ouvir.
“Minha irmãzinha é vítima dessa mulher há anos”, respondeu Taylor sem abaixar o celular. “Isto é a coisa mais linda que já vi.”
A música continuou, e aos poucos Penelope relaxou o suficiente para não tropeçar constantemente. Havia algo hipnótico na maneira como Scott se movia, confiante e controlado, sua mão em sua cintura como uma âncora sólida.
Quando a música terminou, Scott não a soltou imediatamente. Continuou a abraçá-la, olhando-a nos olhos com uma intensidade que fez seu coração disparar.
“Quer sair daqui?” perguntou ele de repente. “Tem um café excelente, aberto 24 horas, a dois quarteirões daqui. Eles fazem waffles incrivelmente bons.”
“Você está me tirando da sua própria festa?” perguntou ela, piscando.
“Tecnicamente, é uma festa beneficente extremamente chata à qual compareço por obrigação”, disse Scott com total sinceridade. “Preferiria muito mais tomar um café com você.”
Pela primeira vez na noite, o sorriso que surgiu no rosto de Penelope foi completamente genuíno.
“Sim”, disse ela. “Adoraria.”
Scott sorriu como se ela lhe tivesse dado o melhor presente e a guiou para fora da pista de dança. Passaram por Posy e Scott diminuiu o passo o suficiente para olhá-la.
"Boa noite, Posy", disse ele com uma polidez glacial. "Sempre um desprazer absoluto."
Posy abriu a boca, mas nenhum som saiu. Suas amigas olharam entre elas e ela com evidente constrangimento, e várias pessoas próximas tentaram disfarçar que estavam assistindo ao drama.
Taylor chegou até elas na porta, praticamente correndo.
"Posso ir?", perguntou sem esconder o entusiasmo.
"Claro", respondeu Scott, como se a pergunta nem precisasse ser feita.
Taylor já digitava furiosamente no celular. Mostrou a tela para Penelope antes de enviar.
"Voltamos de Uber mais tarde. Divirta-se, você e seu ego completamente destruído."
"A gente pega um Uber depois. Divirta-se, você e seu ego completamente destruído." Ela apertou o botão de enviar e os três saíram juntos do hotel, deixando para trás o corredor repleto de fofocas recentes e Penelope com aquele vestido horrível que, de alguma forma, se tornara a melhor coisa que já lhe acontecera na vida.
O café 24 horas tinha aquela estética de lanchonete americana dos anos 50 que parecia ter saído direto de um filme antigo, com cadeiras de vinil vermelho que rangiam quando se sentavam e um balcão de fórmica que claramente já vira dias melhores. A garçonete olhou para eles com a expressão de alguém que já vira absolutamente tudo na vida e não se surpreendia com nada, nem mesmo com quatro pessoas chegando às 2h da manhã, uma delas usando um vestido marrom que parecia um crime contra a moda.
Scott os guiou até a mesa no canto. Havia algo completamente surreal em estar sentado ali com ele de um lado e Taylor do outro, enquanto Alex Moreno se acomodava ao lado de Scott, pegando o cardápio plastificado com óbvia familiaridade.
Penélope ainda sentia a adrenalina da festa correndo em suas veias, a lembrança da expressão mortificada de Posy vívida demais para parecer completamente real.
"Waffles", anunciou Scott com a seriedade de quem discute um assunto de importância nacional. "Com calda de chocolate, chantilly e uma quantidade absurda de morangos. É a única escolha moralmente correta neste estabelecimento."
"Discordo veementemente", disse Alex sem nem olhar para o cardápio. "Panquecas com bacon e xarope de bordo. Um clássico imbatível que resiste ao teste do tempo."
Taylor olhava de Penélope para Scott com o sorriso que Penélope conhecia muito bem.
"Milkshake de chocolate", declarou ela, "e batatas fritas, porque esta noite merece ser celebrada com carboidratos em quantidades medicamente questionáveis."
A garçonete anotou os pedidos sem pestanejar, incluindo o pedido de Scott: waffles suficientes para alimentar um pequeno exército, além de café para todos, que ela garantiu ser forte o suficiente para ressuscitar os mortos.
Quando ela saiu, os quatro ficaram em silêncio por exatos três segundos antes de Taylor explodir em gargalhadas.
"Ainda não consigo acreditar que você realmente fez isso", disse ela, olhando para Scott com uma admiração que beirava a reverência religiosa. "A cara da Posy quando você convidou a Penelope para dançar foi a coisa mais gratificante que eu já vi em toda a minha vida, inclusive quando ela caiu de cara no próprio bolo de aniversário de 15 anos."
Taylor a agarrou.
Scott pegou o celular e mostrou o vídeo para Alex, que assistia com crescente divertimento.
“Olha só. Olha a expressão dela quando ele diz que ela é a mulher mais interessante do salão. Ela literalmente congela, como se alguém tivesse apertado o botão de pausa universal na vida dela.”
Scott estava sorrindo daquele jeito perigoso, mas quando olhou para Penelope, a expressão suavizou.
“Não foi só vingança”, disse ele com uma sinceridade que fez o estômago de Penelope dar um nó estranho. “Bem, talvez 20% tenha sido uma vingança deliciosa, mas os outros 80% foram porque você parecia precisar de alguém do seu lado.”
A comida chegou rápido demais para ser saudável, mas o cheiro estava incrivelmente bom, e Penelope percebeu que estava faminta porque tinha passado a noite inteira com o estômago embrulhado demais para pensar em comer.
Scott empurrou o prato de waffles cobertos de chocolate na direção dela, junto com um garfo.
“Coma”, ordenou ele, sem dar espaço para discussão. “Você passou a noite sendo torturada emocionalmente por uma irmã com sérios problemas de caráter. Você merece um doce como compensação.”
Enquanto jantavam, Scott começou a fazer perguntas a Penelope sobre sua vida com um interesse genuíno que era desconcertante. Ela contou sobre trabalhar com crianças de 5 anos que achavam que comer cola era uma experiência culinária válida, sobre morar com Henrietta e Taylor enquanto economizavam para finalmente ter seu próprio apartamento, e sobre como sua vida era extraordinariamente comum em todos os sentidos.
“E você?”, perguntou Penelope finalmente, a curiosidade vencendo a timidez. “Ser CEO de um império hoteleiro deve ser o completo oposto de comum.”
Scott fez uma careta que teria sido engraçada se não houvesse uma camada de frustração real por baixo.
“Me tornei CEO porque meu pai ficou doente e precisou delegar responsabilidades, não porque acordei sonhando em passar a vida em reuniões intermináveis e jantares beneficentes performáticos”, explicou ele com brutal honestidade. “Se eu pudesse escolher livremente, estaria viajando pelo mundo e colecionando arte em vez de fingir me importar com participação de mercado e relatórios trimestrais que me fazem sangrar os olhos de tédio.”
Do outro lado da mesa, Taylor estava completamente virada para Alex, e os dois conversavam animadamente sobre arquitetura e design de hotéis, claramente dando espaço para que Penelope e Scott tivessem privacidade.
Penelope ouviu fragmentos da conversa.
“Seu amigo sempre salva mulheres de irmãs cruéis em festas chatas?”, perguntou Taylor com genuína curiosidade.
“Nunca vi o Scott fazer nada remotamente parecido com isso”, admitiu Alex, com evidente surpresa na voz. “Ele geralmente ignora completamente as fofocas. Acha tudo muito superficial e irritante para se envolver. A Penelope deve ser especial.”
O rosto de Penelope corou ao ouvir a conversa que claramente não era para ela. Quando olhou para Scott, percebeu que ele também tinha ouvido, pois estava sorrindo de um jeito que a fez sentir um frio na barriga.
“Você é”, disse ele simplesmente. “Especial.”
As horas se passaram sem que Penelope percebesse, com as conversas fluindo naturalmente e risadas ecoando pelo restaurante vazio. Scott era engraçado de um jeito sarcástico e inteligente, fazia observações perspicazes que a faziam rir até doer, e tinha um jeito de fazê-la sentir que cada palavra que dizia era importante e merecia total atenção.
Por fim, Scott se inclinou sobre a mesa.
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