Penelope Sherman olhou para sua irmã Posy, que sorriu maliciosamente enquanto segurava o vestido.
"É isso, ou você não vai", disse Posy com uma falsa doçura.
Penelope sabia exatamente o que estava acontecendo. Mais uma humilhação. Mais um jogo cruel.
Taylor, a irmã do meio, explodiu: "Posy, isso é ridículo. Ela não pode usar isso."
Posy ficou fria.
"Mamãe me obrigou a trazer vocês duas para o meu evento. Minha carreira. Meus contatos. Se a Penelope quiser ir, ela vai usar o que eu escolhi ou fica em casa. E tire esses brincos", continuou ela, apontando para os delicados brincos de Penelope. "E essa maquiagem. Muito chamativa para alguém que é só um acompanhante."
Taylor estava furiosa, mas Penelope tocou seu braço.
"Está tudo bem."
Mas quando sua irmã a humilhou na festa na frente de todos, dizendo que ninguém a queria, não estava nada bem.
O que Posy não sabia era que Scott Ferrari, o homem por quem sempre fora apaixonada, estava observando tudo. Ele amava vingança quase tanto quanto amava mulheres genuínas em vestidos simples.
Então, a noite estava prestes a ficar interessante.
Se humilhar era o jogo de Posy, então esta noite ela poderia ter feito a jogada errada.
Penelope tinha 16 anos quando percebeu que sua irmã a odiava, e a descoberta aconteceu da maneira mais cruel possível: com o capitão do time de futebol americano a convidando para o baile de formatura enquanto Posy assistia a toda a cena da porta do quarto de Penelope.
O nome do garoto era Brandon. Ele tinha olhos azuis que brilhavam quando sorria, e Penelope não fazia ideia de que Posy havia passado os últimos três meses flertando com ele em todos os eventos sociais da cidade, que era pequena demais para segredos de verdade.
Quando Penelope recusou o convite de Brandon com toda a delicadeza que uma adolescente insegura conseguia reunir, dizendo que tinha muito o que estudar para pensar no baile, Posy ainda a olhou como se tivesse arrancado algo vital do seu peito e pisoteado na frente de todos que conheciam.
Posy não disse nada naquele dia, mas a forma como bateu a porta do próprio quarto e passou três semanas ignorando Penelope disse tudo o que Penelope precisava entender sobre o relacionamento delas dali em diante.
O padrão se repetiu tantas vezes nos anos seguintes que Penelope perdeu a conta. Diferentes garotos gravitavam em torno dela enquanto Posy observava à distância com aquele olhar frio que fingia indiferença, mas exalava ressentimento por todos os poros.
Penelope nunca pediu a atenção deles, nunca flertou, nunca usou os elaborados truques de sedução que Posy parecia estudar como se fossem um curso universitário. Mas algo na naturalidade despretensiosa de Penelope parecia atrair exatamente o que Posy mais queria e nunca conseguia manter.
O ciúme cresceu ao longo dos anos, instalando-se entre elas como uma terceira presença invisível, porém inegável. Cada novo rapaz que escolhia notar Penelope em vez de Posy só alimentava o ressentimento que Posy carregava como uma segunda pele.
Agora, oito anos depois daquele baile de formatura ao qual Penelope sequer compareceu, ela estava sentada na sala de estar da mãe, ouvindo Henrietta praticamente implorar para que Posy levasse suas irmãs ao evento beneficente que aconteceria no dia seguinte.
Posy tinha 29 anos, era vice-presidente de relações públicas de uma empresa de luxo que pagava salários obscenos e frequentava galas de elite com a regularidade de alguém nascida para aquele mundo de champanhe caro e conversas vazias sobre causas importantes.
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