Quando meu marido morreu, pensei que o luto seria a coisa mais difícil que eu teria que enfrentar. Estava enganada. Alguns dias depois do funeral, quando nosso filho disse que não conseguia mais dormir na própria cama, percebi o quanto eu realmente não havia compreendido na minha vida.
Daniel e eu fomos casados por dezesseis anos antes de ele falecer de câncer.
Tínhamos seis filhos: Caleb, de dez anos; Emma, de oito; as gêmeas Lily e Nora, de seis; Jacob, de quatro; e a pequena Sophie, que tinha acabado de completar dois anos quando ele faleceu.
Antes do diagnóstico, nossa vida era maravilhosamente normal.
As manhãs de sábado significavam panquecas e desenhos animados. Daniel sempre virava as panquecas muito cedo, e Caleb o provocava: "Pai, você nunca espera o suficiente."
Daniel sorria e dizia: "A paciência é superestimada."
Fingi estar irritada, mas eu adorava a confiabilidade dele. Ele pagava as contas em dia, consertava as dobradiças quebradas e nunca se esquecia de um aniversário. Era um marido dedicado e um pai maravilhoso.
Mas então, dois anos angustiantes antes de sua morte, os médicos descobriram um câncer – e tudo mudou.
Eu me tornei a pessoa que planejava, aquela que pesquisava tratamentos e coordenava as consultas.
Daniel se mostrou corajoso na frente das crianças, mas à noite apertou minha mão e sussurrou: "Estou com medo, Claire."
"Eu sei", eu lhe diria. "Mas não vamos desistir."
Mesmo nos seus piores dias, ele se sentava no chão da sala com as crianças e construía torres de Lego. Fazia pausas frequentes para recuperar o fôlego, certificando-se de que elas não percebessem.
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