Eu o admirava. Eu confiava nele. Eu acreditava que o conhecia completamente.
Três semanas antes de eu encontrar a caixa, ele morreu às duas da manhã em nosso quarto. O único som era o zumbido baixo do aparelho de oxigênio.
Encostei minha testa na dele e sussurrei: "Você não pode me deixar."
Ele esboçou um sorriso fraco. "Vai ficar tudo bem. Você é mais forte do que pensa."
Eu não me sentia forte. Era como se a terra tivesse desaparecido sob meus pés.
Após o funeral, tentei proteger as crianças de qualquer sensação de normalidade. Preparei lanches, assinei formulários de autorização e sorri quando necessário.
À noite, quando a casa estava silenciosa, eu vagava de um cômodo para o outro e tocava nas coisas de Daniel.
Um detalhe me incomodava. Durante a doença, ele havia ficado estranhamente obcecado em proteger certas áreas da casa.
Ele insistiu em reorganizar o sótão sozinho, mesmo quando levantar caixas o deixou completamente exausto.
Na época, pensei que fosse orgulho – sua recusa em se sentir impotente.
Agora, no silêncio, esses momentos pareciam diferentes.
Quatro dias após o funeral, Caleb entrou na cozinha enquanto eu preparava ovos mexidos.
"Mãe, minhas costas doem", disse ele.
"Do treino de beisebol?", perguntei.
"Talvez. Começou ontem à noite."
Examinei-o. Sem hematomas. Sem inchaço.
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