No dia da mudança, ela rodou pelo meu pequeno dormitório, organizando tudo. Antes de sair, ela apertou minha mão.
“Você vai construir algo,” ela disse. “Não se esqueça de onde veio. E me mande mensagem.”
Durante o terceiro ano, aquele “algo” começou.
Eu e minha melhor amiga, Lena, estávamos reclamando sobre camisetas.
“Por que tudo é ou rígido ou transparente?” ela disse.
“Porque o universo nos odeia,” eu respondi.
Começamos a desenhar modelos. Camisetas simples, macias. Linhas limpas. Sem slogans bobos.
Juntamos nossas economias, fizemos um pequeno pedido, usamos a gráfica do campus e postamos online. Esperávamos algumas compras de pena.
Vendemos tudo.
Amigos publicaram. Os amigos deles perguntaram onde comprar. Começaram a surgir pedidos de estranhos.
Nosso dormitório virou uma estação de embalagens. Dobramos camisetas às 2 da manhã, cercadas de caixas e energéticos.
Nomeamos a marca de “Doorstep”.
Lena gostou do som. Eu gostei do simbolismo.
Depois da formatura, alugamos um escritório minúsculo. Uma mesa, alguns cabides, sem janelas que abrissem direito. Sem investidores, sem pais ricos. Apenas dias longos e uma mentalidade de “vamos descobrir”.
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