Mal tinha percorrido três quarteirões quando meu telefone vibrou.
“Mãe.” A voz da minha filha tremia. “Tem uma garota aqui. Atrás das máquinas de venda. Ela está chorando.”
Pareei o carro. “Norma, devagar. Quem?”
“Ela se chama Claire, minha colega de classe. A mãe dela perdeu o emprego. Ela está com uma saia velha e um cardigan com um botão faltando, e está se escondendo para que ninguém a veja. Eu me sinto tão mal, mãe. Queria poder fazer algo.”
Fechei os olhos. Eu já sabia para onde aquilo ia.
“Mãe, quero dar meu vestido para ela,” completou Norma.
“Querida, não. Você trabalhou oito meses.”
Uma longa pausa. Então sua voz voltou, calma de um jeito que me assustou.
“Papai teria dado. Ele sempre dizia que devemos colocar os outros antes de nós mesmos.”
Não pude argumentar contra isso.
“Então o que você vai vestir?” sussurrei. “O Kevin não vai ficar chateado?”
“É por isso que estou ligando. Você pode me trazer algo decente? Qualquer coisa. Por favor. E não se preocupe, mãe. Kevin me convidou para o baile, não para uma festa chique.”
Virei o carro e corri para casa. Fui direto para o armário e comecei a tirar qualquer coisa elegante, qualquer coisa formal, mas nada parecia certo para o baile. Todos os meus vestidos eram largos demais para Norma.
Então meus olhos caíram na bolsa de roupas no fundo.
O terno de Joe.
Fiquei ali por um longo momento, meus dedos na zíper. Eu não o abria há três anos. Nem sequer o movi quando guardei suas outras roupas.
Baixei a zíper lentamente. A jaqueta preta apareceu primeiro, e então a lapela, onde as folhas de bordo laranja se enrolavam em seu pequeno grupo bordado.
Levantei-a do cabide.
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