Meu filho deu a antiga luva de beisebol de seu falecido pai a um menino que estava chorando atrás do supermercado – na manhã seguinte, 28 luvas estavam pregadas na nossa varanda, cada uma com uma foto numerada.

Foi quando um homem mais velho apareceu atrás do dugout com uma vassoura. Ele parou ao nos ver.

“Posso ajudar?”, perguntou.

Mostrei uma das fotos e disse: “Estou procurando alguém que conheceu meu marido.”

Ele olhou a foto. Depois para mim.

“Você é a esposa do Sam”, disse baixinho.

O nome dele era Ray. Ele ajudava a cuidar do campo havia anos. Quando perguntei como conhecia Sam, Ray se apoiou no cabo da vassoura e ficou olhando para o campo vazio por alguns segundos antes de responder.

“Seu marido costumava aparecer depois do trabalho”, disse. “Falava que só ia ficar 10 minutos. Normalmente ficava mais.”

“Para jogar?”

Ray balançou a cabeça. “Para aparecer.”

Precisei parecer confusa, porque ele continuou. Sam vinha ao campo há anos para jogar com crianças cujos pais trabalhavam até tarde, esqueciam, se afastavam, prometiam coisas que não cumpriam ou simplesmente não apareciam. Algumas eram da vizinhança. Outras vinham do restaurante. Algumas só apareceram uma vez. Outras vinham sempre.

Eu disse: “Ele nunca me contou isso.”

Ray me olhou com tristeza. “Você sabia que ele chegava tarde às vezes, não sabia?”

Sabia. Sam dizia que passava no campo para esfriar a cabeça ou ajudar Ray. Eu acreditava porque era próximo o suficiente da verdade para eu nunca questionar.

Perguntei sobre Eli.

Ray ficou muito quieto.

Depois suspirou e disse: “Aquele me preocupava.”

Eli tinha um pai que prometia aparecer no aniversário e não aparecia. Todo ano Eli esperava. Todo ano era deixado lá, com um bolo em algum lugar e sem o pai.

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