Miles apontou para a luva que guardava aquela foto e disse: “Olha dentro.”
Minhas mãos tremiam. Eu enfiei a mão e tirei um cartão de aniversário dobrado, com as bordas amolecidas. A caligrafia na frente me apertou a garganta. Era de Sam. Na frente, em marcador azul, dizia: Para Eli — se eu estiver atrasado. Eu nunca tinha ouvido esse nome na vida. Miles olhou do cartão para as luvas e para mim. Eu disse: “Vai buscar meu celular. Agora.”
Liguei para a polícia. Depois de um tempo, eles finalmente apareceram. Tiraram fotos. Perguntaram se eu conhecia alguém chamado Eli. Perguntaram se Sam tinha inimigos. Eu ri porque Sam mal acreditava em buzinar para motoristas ruins. No fim, chamaram de invasão de propriedade e disseram para avisar se alguém voltasse. Foi razoável. Também foi inútil.
Depois que eles foram embora, levei todas as luvas para a sala e as espalhei no tapete. Miles sentou ao meu lado e ajudou a organizar as fotos. Algumas mostravam crianças pequenas. Outras adolescentes. Algumas pareciam anos separadas. Mas em quase todas havia o mesmo lugar ao fundo. Uma cerca de arame. Um banco de madeira descascado. Um pequeno campo. O campo atrás do supermercado.
Fiquei olhando as fotos por muito tempo, então liguei para minha irmã e disse que ia até lá. Ela disse que eu tinha enlouquecido. Eu disse que provavelmente sim. Então levei Miles comigo em plena luz do dia e fomos até o campo.
Parecia meio esquecido. Marcas de giz desbotadas. Ervas daninhas na cerca. Um banco atrás do dugout com tinta verde descascando.
Andamos pela borda e, quando me abaixei para olhar embaixo, encontrei letras esculpidas na madeira. S + M. Isso tirou o ar de mim.
“Eu sabia”, sussurrou Miles.
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