Na manhã seguinte, nada aconteceu. Quase esqueci disso à tarde. Achei que talvez a luva tivesse sumido para sempre, e pronto. Então, na manhã seguinte, nossa vizinha Karen gritou da nossa varanda. Não chamou. Gritou.
Corri até a porta descalça, com Miles logo atrás de mim de pijama, e parei tão rápido que quase bati na moldura. Havia luvas de beisebol por toda a nossa varanda. Não pregadas. Não jogadas. Organizadas cuidadosamente nos degraus e penduradas no corrimão com pedaços de barbante. Velhas. Novas. Luvas pequenas de criança. Uma luva de catcher. Uma luva de canhoto. Uma luva rosa com glitter na costura. Deviam ser quase trinta.
Cada luva tinha uma fotografia colocada no bolso. Karen estava no quintal com a mão no peito dizendo: “Eu não toquei em nada. Só vi e gritei.” Miles segurou meu braço.
“Mãe”, ele sussurrou. “É ele.”
Ele apontava para uma das fotos.
Peguei.
Mostrava o menino de trás do supermercado. Magro. Cabelo escuro. Talvez dez ou onze anos. Rosto sério. Ele estava ao lado de Sam num campo de beisebol que eu não reconhecia.
Meu estômago afundou.
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