Meu avô manteve um número de telefone escondido na carteira por mais de trinta anos — quando finalmente liguei para ele após sua morte, a voz do outro lado da linha me fez congelar

— Alô? Alô?! — gritei.

 

A ligação continuou aberta.

 

Liguei para o 112 e informei o endereço dele, depois peguei minhas chaves.

 

A viagem até aquela cidade pareceu durar o dobro do normal.

 

Quem era aquele homem? Por que ele estava esperando meu avô ligar? Por que a voz dele quebrou quando eu disse meu nome?

 

Virei na rua dele no exato momento em que a ambulância estava se afastando.

 

Um pequeno grupo de vizinhos estava no gramado da frente sob a luz do fim da tarde. Uma mulher mais velha, de cardigan verde, me olhou quando saí do carro.

 

— O que aconteceu? — perguntei, apressada.

 

— O coração dele — disse a mulher. — Ele desmaiou. Levaram o Simon.

 

Fiquei parada por um instante, depois subi os degraus da varanda.

 

Havia um galo de cerâmica ao lado da porta, com uma pequena lasca em uma das asas.

 

A porta estava destrancada. Empurrei e entrei.

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