Meu avô manteve um número de telefone escondido na carteira por mais de trinta anos — quando finalmente liguei para ele após sua morte, a voz do outro lado da linha me fez congelar

Meu avô guardava uma fotografia antiga na carteira por mais de trinta anos. No verso, havia um número de telefone sem nome. Ele nunca me contou de quem era, e nunca ligou para ele.

 

Depois do funeral dele, disquei aquele número usando o telefone fixo da cozinha. Quando a voz do outro lado atendeu, eu congelei.

 

Para o que eu me lembre, meu avô sempre manteve aquela fotografia na carteira.

 

As bordas estavam macias e arredondadas pelo tempo e pelo uso constante. Era a imagem de uma menina pequena, com um sorriso largo e sem dentes. Ela se parecia tanto comigo que, da primeira vez que vi, fiquei em choque.

 

Peguei a foto das mãos do vovô Robin e virei-a. No verso, escrito com tinta azul que já começava a desbotar nas bordas, havia um número de telefone longo. Nenhum nome. Nada além disso.

 

— Essa é a minha mãe? — perguntei.

 

Meu avô pegou a fotografia de volta com cuidado e a guardou.

 

— Isso não importa quem seja, Amelia.

 

E foi tudo o que ele disse.

 

Às vezes, à noite, quando ele achava que eu estava em outro cômodo, eu o via sentado na poltrona, com a foto na mão, passando o polegar devagar pelo rosto da menina.

 

Às vezes, eu o via enxugar os olhos com o dorso da mão.

 

Ele carregou aquele número por mais de trinta anos.

 

Mas nunca, nem uma única vez, ligou.

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