Meu avô manteve um número de telefone escondido na carteira por mais de trinta anos — quando finalmente liguei para ele após sua morte, a voz do outro lado da linha me fez congelar

Ele era o único pai que eu conheci. E eu nunca questionei se isso era suficiente.

 

Até uma semana atrás, quando ele se foi, e eu fiquei na cozinha dele, perdida.

 

— Por que você me deixou, vovô? — sussurrei para o silêncio da casa.

 

Tudo ali ainda parecia esperar por ele.

 

Encontrei a carteira do vovô na gaveta de cima do armário, sob um lenço dobrado.

 

Dentro estavam: a carteirinha da biblioteca, alguns recibos gastos pelo tempo e a fotografia.

 

Amarelada agora. A tinta no verso ainda mais apagada do que eu lembrava. Mesmo assim, segurei-a contra a luz da janela e li o número devagar, dígito por dígito.

 

Ele ainda estava lá.

 

O telefone fixo antigo da cozinha estava sobre o balcão, como sempre esteve, com o aparelho um pouco empoeirado e o fio enrolado junto à parede. Meu celular estava no bolso, sem bateria.

 

Fiquei ali por um bom tempo, virando a foto entre os dedos.

 

Peguei o telefone. E disquei.

 

— Robin, é você? — disse um homem depois do segundo toque.

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