Ele era o único pai que eu conheci. E eu nunca questionei se isso era suficiente.
Até uma semana atrás, quando ele se foi, e eu fiquei na cozinha dele, perdida.
— Por que você me deixou, vovô? — sussurrei para o silêncio da casa.
Tudo ali ainda parecia esperar por ele.
Encontrei a carteira do vovô na gaveta de cima do armário, sob um lenço dobrado.
Dentro estavam: a carteirinha da biblioteca, alguns recibos gastos pelo tempo e a fotografia.
Amarelada agora. A tinta no verso ainda mais apagada do que eu lembrava. Mesmo assim, segurei-a contra a luz da janela e li o número devagar, dígito por dígito.
Ele ainda estava lá.
O telefone fixo antigo da cozinha estava sobre o balcão, como sempre esteve, com o aparelho um pouco empoeirado e o fio enrolado junto à parede. Meu celular estava no bolso, sem bateria.
Fiquei ali por um bom tempo, virando a foto entre os dedos.
Peguei o telefone. E disquei.
— Robin, é você? — disse um homem depois do segundo toque.
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