Nicholas estendeu a mão.
Matteo se ajoelhou e apertou sua mão.
“Eu nunca saí”, disse Matteo.
Os olhos de Nicholas suavizaram por um breve instante.
“Eu sei.”
Então a suavidade desapareceu.
“Leo virá confirmar a morte.”
Matteo assentiu.
“Ele é vaidoso demais para não vir.”
Nicholas olhou para Clara.
“Você pode fazer exatamente o que eu mandar?”
Clara tremia. Seu rosto latejava. Seu estômago revirava toda vez que olhava para o assassino inconsciente. Mas ela assentiu.
Eles prepararam o quarto.
Travesseiros sob cobertores formavam o contorno do corpo de Nicholas na cama. Os eletrodos do monitor cardíaco estavam conectados ao assassino, que foi empurrado para debaixo da cama, onde a máquina ainda conseguia captar o ritmo. Matteo estava atrás da porta. Nicholas esperava atrás da pesada cortina de privacidade, na cadeira de rodas.
Clara estava sentada em sua poltrona de sempre, perto da janela, com O Conde de Monte Cristo aberto no colo.
Suas mãos não paravam de tremer.
Nicholas percebeu.
“Clara.”
Ela olhou para ele.
De trás da cortina, sua voz rouca soou suavemente.
“Você ainda pode sair andando.”
“Não”, ela sussurrou.
“Você deveria.”
“Eu disse não.”
Pela primeira vez naquela noite, o silêncio respondeu.
Então ele disse, quase gentilmente: “Mulher teimosa.”
Ela quase riu.
Quase.
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