Nicholas olhou para a bochecha dela. Algo sombrio passou por seus olhos.
"Ele te bateu."
"Estou bem."
"Não, você não está." Sua mão se ergueu lentamente, seus dedos roçando o hematoma com uma delicadeza surpreendente. "Ele vai pagar por isso. Mas agora, preciso que você seja mais corajosa do que nunca."
Clara engoliu em seco.
"O que eu digo para o Matteo?"
A boca de Nicholas se curvou levemente. “Diga a ele que o conde acordou.”
Ela encontrou uma cadeira de rodas no armário e ajudou Nicholas a entrar. O processo quase o quebrou. Uma dor aguda cruzou seu rosto. Seus joelhos cederam. Ele apertou o ombro dela com tanta força que ela sabia que ficariam roxos.
Mas ele não gritou.
Assim que se sentou, puxou um cobertor sobre o colo.
“Se alguém entrar”, disse Clara, “finja que ainda está inconsciente.”
Seus olhos se voltaram para o assassino caído no chão.
“Eu já treinei.”
Clara saiu sorrateiramente para o corredor.
O guarda do lado de fora do quarto 412 havia sumido.
Isso a assustou mais do que se ele estivesse lá.
Ela pegou o elevador de serviço até o subsolo, com o coração batendo tão forte que pensou que fosse desmaiar antes das portas se abrirem. O andar inferior cheirava a poeira, água sanitária e concreto velho. Luzes fluorescentes piscavam no teto.
Então ela ouviu.
Tum.
Tum.
Pum.
Um som abafado de batidas atrás de uma porta de aço com a inscrição "DEPÓSITO DE FARMÁCIA DESATIVADA".
Clara encostou o ouvido na porta.
"Matteo?"
As batidas pararam.
"Clara?" Sua voz estava abafada, furiosa, viva. "O que diabos você está fazendo aqui embaixo?"
"Salvando você, aparentemente."
"Corra. Leo ordenou o ataque esta noite. Tem um homem lá em cima."
"Eu sei. Nicholas o impediu."
Silêncio.
Então Matteo disse, bem baixinho: "O quê?"
Clara encontrou o teclado numérico.
"Qual é o código?"
"Tente 0451."
Ela digitou.
A luz ficou verde.
A fechadura fez um clique.
Lá dentro, Matteo Russo estava amarrado a um cano com abraçadeiras de plástico, o rosto machucado, o lábio cortado, o paletó rasgado. Clara caiu de joelhos e cortou as amarras com uma tesoura cirúrgica que tinha no bolso.
“Ele acordou”, disse ela.
Matteo olhou para ela.
“Não.”
“Ele quebrou o pulso do assassino.”
A expressão de Matteo mudou.
O homem ferido e encurralado desapareceu.
Algo mais frio estava em seu lugar.
“O que ele disse?”
Clara olhou-o fixamente nos olhos.
“Ele disse que o conde acordou.”
Matteo fechou os olhos por um segundo.
Quando os abriu, Clara entendeu por que os homens temiam a lealdade quase tanto quanto a traição.
“Leo Rossi”, disse Matteo, “acabou de se tornar um morto-vivo.”
Parte 3
Matteo se movia pelo Saint Jude como se o hospital tivesse sido construído para sua vingança.
Subiu as escadas de serviço de dois em dois degraus, apesar dos ferimentos, com uma das mãos segurando uma pistola com silenciador que Clara não tinha visto escondida em seu coldre de tornozelo. Clara seguiu, ofegante, tonta, apavorada com cada som.
Quando chegaram ao quarto andar, o guarda substituto de Leo estava de volta do lado de fora do quarto 412, encostado na parede e mexendo no celular.
Ele não ouviu Matteo se aproximar.
A coronha da arma atingiu a nuca dele. O homem caiu sem fazer barulho. Matteo o arrastou para um depósito.
e fechou a porta.
Dentro do quarto 412, Nicholas esperava na cadeira de rodas, meio escondido nas sombras.
O assassino estava acordado o suficiente para gemer, amarrado com gaze e amordaçado com uma toalha.
Matteo entrou, viu Nicholas sentado ereto e parou como se a visão tivesse lhe tirado o ar dos pulmões.
“Chefe.”
Sua voz falhou.
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