Ela lia histórias para um chefe da máfia em coma todas as noites — até que ele agarrou seu pulso e sussurrou seu nome.

sp.

“Toda a sabedoria humana”, disse ele, “está contida nestas duas palavras.”

Clara prendeu a respiração.

O olhar de Nicolau a queimava.

“Espere e tenha esperança.”

A frase final de O Conde de Monte Cristo.

O mundo de Clara desmoronou.

“Você me ouviu”, sussurrou ela.

Nicolau olhou para a porta.

“Eu ouvi tudo.”

Um arrepio percorreu seu corpo, mais forte que a tempestade.

A contração na têmpora. A tensão na mandíbula. A estranha sensação de que o quarto deixara de ser um túmulo.

Ele não acordara naquela noite.

Estara acordado.

Por semanas.

Talvez mais.

Preso dentro do próprio corpo, ouvindo.

Ouvindo Leo zombar dele.

Ouvindo seus inimigos planejarem sua morte.

Ouvindo Clara lê-lo de volta à vida.

O alarme soou mais alto.

Nicolau fez uma careta.

“Desligue essa droga, Clara.”

Suas mãos tremiam tanto que ela quase errou o botão, mas conseguiu silenciar o monitor.

O silêncio repentino foi ainda pior.

Nicholas jogou as pernas para fora da cama. Seu corpo tremia violentamente com o esforço. Estava mais magro do que meses atrás, os músculos atrofiados pela imobilidade, a pele coberta de suor.

Parecia um cadáver tentando se tornar rei novamente.

“Matteo”, ele sussurrou. “Onde ele está?”

“Não sei”, disse Clara. “Ele não estava aqui quando cheguei. Um dos homens de Leo o substituiu.”

A mandíbula de Nicholas se contraiu.

“Eles não o matariam aqui. Seria muito bagunçado. Precisam que minha morte seja limpa.”

Clara pressionou a mão contra a bochecha sangrando.

“Há um antigo depósito de farmácia no subsolo”, disse ela. “Fechado para reformas. Sem câmeras. Quase ninguém vai lá.”

Nicholas assentiu uma vez.

"Encontre-o."

"Não posso te deixar."

"Você pode e vai." Sua voz era fraca, mas a autoridade nela contida fez o quarto parecer menor. "Não posso andar por aqueles corredores. Se os homens de Leo me virem acordado, vão atirar. Seu lugar é aqui. Você pode se mover sem levantar suspeitas."

Clara o encarou.

Por seis meses, ele fora seu paciente. Seu fantasma. Sua responsabilidade impossível.

Agora ele estava pedindo que ela se arriscasse por ele.

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