“Eu sei que não sou o papai”, eu disse. “Eu sei que não é a mesma coisa. Mas eu gostaria de te levar ao baile. Se você deixar.”
Ela não respondeu por um longo momento.
“Eles vão rir de mim, mãe.”
“Quem?”
“A Brooke e as amigas dela. Elas riem de todo mundo que é diferente. O pai dela é um grande advogado no centro. Ela disse para a turma toda que ele ia voar até lá só para o baile. Ano passado ela disse a mesma coisa, e ele nunca veio. Ela chorou no banheiro e depois fez a Sarah chorar na semana seguinte porque os sapatos dela eram velhos.”
Meu coração doeu.
“Se eles rirem”, eu disse com cuidado, “a gente vai dançar mesmo assim. Pelo papai.”
Ela olhou para mim, e seus olhos eram tão parecidos com os do pai que me tiraram o fôlego.
“Você iria mesmo?”
“Eu iria a qualquer lugar por você, meu amor.”
Mia ficou em silêncio por muito tempo. Então assentiu, pequeno e corajoso.
“Tudo bem, mãe”, ela sussurrou. “Vamos. Pelo papai. Eu quero ir.”
Eu a puxei para meus braços e a segurei forte, com medo de ela sentir meu coração batendo através da camisa. Porque a verdade era que eu não fazia ideia de como ser o homem que ela estava sentindo falta.
Na manhã do baile, eu fiz o cabelo de Mia enquanto ela ficava muito quieta em frente ao espelho. Ela usava um vestido azul suave que chegava até os joelhos. Prendi uma pequena presilha em seus cachos e tentei não tremer.
“Você parece uma pintura”, sussurrei.
“Mãe, para. Vou chorar e borrar minha maquiagem.”
Eu ri porque era a primeira risada naquela casa em meses. No caminho, peguei um pequeno buquê de cravos cor-de-rosa no balcão da cozinha, o tipo que Richard sempre comprava para ela.
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