"Você sabe cozinhar?", perguntou ele à noiva humilhada; a resposta dela mudou tudo.

Ela aprendera a julgar os homens pelo que faziam com as mãos enquanto falavam. Tomás não tentou tocá-la, não sorriu demais, não olhou para o corpo dela nem para a mala. Apenas esperava uma resposta.

«Seus filhos são pequenos?», perguntou ela.

—O mais velho tem dez anos. A menina, seis.

—Eles sabem obedecer?

Pela primeira vez, algo parecido com um sorriso surgiu no rosto de Tomás.

—O mais velho pensa assim. O mais novo acha que tudo se resolve perguntando.

Amália pegou sua mala.

—Então vamos lá.

Eles saíram da plataforma juntos. Atrás deles, os moradores da cidade observavam em silêncio, guardando a cena para comentários posteriores.

A casa de Tomás ficava na margem do rio San Jacinto, perto de algumas árvores de mesquite e um pequeno curral. Tinha uma cerca que precisava de reparos, um cavalo velho amarrado na sombra e um degrau da frente solto que Amalia notou sem dizer nada.

Por dentro, a casa estava limpa, mas sem charme. Tudo era usado, nada era ornamentado. Havia uma mesa quadrada, um fogão de ferro, ferramentas cuidadosamente dispostas ao longo da parede e, em uma prateleira, uma cesta de costura com tampa de madeira que parecia não ter sido usada há muito tempo.

«Pertencia à minha esposa», disse Tomás, sem que Amalia perguntasse. «Ela morreu há dois anos.»

Ela assentiu com a cabeça.

—Não vou tocar no que não devo tocar.

«O quarto é seu», indicou ele. «Meus filhos jantam às seis. Volto quando termino o trabalho.»

Nesse instante, a criança apareceu.

Seu nome era Julián. Ele tinha dez anos e um semblante sério demais para a sua idade. Observou Amalia como se ela fosse uma repetição de algo que já havia dado errado para ele. Então, olhou para o pai.

«Mais um?», perguntou ele.

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