Arthur tomou um gole moderado de café. “Só se você insistir em se envolver nisso.”
Valerie sentou-se sem ser convidada. “Daniel não me contou quase nada.” “É porque Daniel confunde silêncio com controle.”
Valerie inclinou-se para a frente. “Então me diga o que ele não vai dizer.”
Arthur a observou.
Ela tinha beleza, disciplina, inteligência social e a crueldade instintiva de alguém que havia subido na vida com tanta cautela que não tolerava nenhum deslize.
Em outro contexto, ele talvez a admirasse mais.
Mas hoje ela não era sua prioridade.
“Camila Reyes fugiu do hospital com as crianças”, disse ele.
Valerie cruzou as pernas. “Sim, eu sei dessa parte.”
“Ela teve ajuda.”
“Sophia Bennett.”
As sobrancelhas de Arthur se ergueram levemente. “Daniel te contou?”
“Ele já me contou o suficiente.”
Arthur pousou a xícara. “Então o que você quer?”
O sorriso de Valerie não chegou aos seus olhos. “Quero saber se Daniel está lidando com isso ou se preciso me proteger.”
Arthur deu uma risada seca, quase inaudível. “Proteger-se de quê? Das fofocas da sociedade?”
“De ser vista como a amante que celebrou enquanto uma esposa descartada fugia com os recém-nascidos.”
O olhar de Arthur se intensificou. “Isso está errado?”
Valerie permaneceu imóvel.
Havia muitas maneiras de sobreviver a homens como Arthur Whitmore. Recuar não era uma delas.
Ela disse calmamente: “Seu filho e eu retomamos nosso relacionamento muito antes de ontem à noite. Qualquer acordo que ele tivesse com Camila já estava morto.”
Arthur não respondeu imediatamente.
Então ele disse: “Acordos mortos ainda geram herdeiros.”
Valerie o odiou por essa frase imediatamente.
Ela disfarçou.
“O que acontece se Camila falar?”
Os dedos de Arthur tamborilaram uma vez no apoio de braço. “Então decidimos se ela é uma mentirosa, instável, manipulada ou se está temporariamente indisposta por causa da cirurgia.”
vermelho.
Ela não disse nada a princípio.
Uma voz masculina, suave e profissional, soou do outro lado da linha.
“Dr. Vega?”
“Quem está perguntando?”
“Meu nome é Curtis Hale. Represento as partes preocupadas com uma paciente no pós-parto que pode estar em situação de emergência médica.”
Sophia revirou os olhos com tanta força que foi quase audível.
Marisol manteve o tom neutro. “Então, essas pessoas devem contatar os serviços de emergência.”
“Temos motivos para acreditar que a paciente pode estar evitando os sistemas formais.”
“Tenho certeza de que muitas pessoas fazem isso.”
Uma pausa.
Então: “Também acreditamos que ela possa estar com quatro recém-nascidos com saúde frágil.”
A expressão de Marisol não mudou.
A mão de Sophia apertou a xícara de café.
A voz continuou, ainda educada. “Se a Dra. Reyes já compareceu à sua unidade, estamos preparados para tomar as providências necessárias para garantir uma transferência discreta de cuidados.”
Dra. Reyes.
Não era Camila.
Não era a Sra. Reyes.
Ele estava tentando adivinhar o nome.
Marisol encostou-se no balcão. "Você ligou para o número errado."
"Doutor", disse a voz gentilmente, "com todo o respeito, se isso se tornar um conflito, todos serão prejudicados."
Um sorriso discreto surgiu nos lábios de Marisol.
"Aqui está."
"Como assim?"
"O dinheiro sumiu e a ameaça chegou. Eu estava me perguntando quando você pararia de fingir que isso era sobre medicina."
Sophia a observou com admiração.
O homem ao telefone fez uma pausa novamente. Então, "Se a mãe morrer por estar escondida em um local inadequado—"
Marisol encerrou a ligação.
Sophia soltou um suspiro. "Bem. Isso foi encantador."
Marisol desligou o telefone. "Ele sabe o suficiente para ser perigoso, mas não o suficiente para ser útil."
"Eles conseguem rastrear este número?"
"Eventualmente. Não imediatamente." O semblante de Sophia perdeu o humor. "Então vamos nos mudar."
Marisol assentiu. "Mais cedo do que eu gostaria."
Sophia apoiou uma das mãos no balcão e fechou os olhos por um instante. "Camila ainda não poderá viajar para longe."
"Ela pode não ter escolha."
Nenhuma das duas falou por um segundo.
Então Marisol disse: "Há mais um problema."
Sophia ergueu o olhar.
Marisol cruzou os braços. "Se Daniel Whitmore começar com clínicas como a minha, ele estará usando dinheiro. Mas se Arthur Whitmore se envolver, ele usará o histórico."
Sophia franziu a testa. "O que isso significa?"
"Significa antigas redes familiares. Juízes com quem jogam golfe. Investigadores aposentados que lhes devem favores. Fundações, conselhos médicos privados, agências discretas. Homens assim não investigam. Eles fecham portas até que você não tenha mais para onde ir."
O maxilar de Sophia se contraiu.
"Precisamos ir além de Pasadena."
"Sim." “Até onde?”
Marisol olhou para o teto, para o quarto onde Camila estava sentada com quatro crianças e um corpo em processo de recuperação.
“A um nível que as faça parar de pensar em horas e começar a pensar em semanas.”
Valerie Monroe não esperou permissão para entrar.
Ela entrou na casa de Arthur Whitmore pouco depois das dez da manhã, vestindo seda creme, óculos escuros e com a expressão de uma mulher que se recusava a ser dano colateral no desastre familiar de outra pessoa.
Arthur estava sentado na sala de café da manhã ao lado de toranjas intocadas e café preto, os cabelos grisalhos penteados para trás, a postura ainda rígida apesar da bengala encostada na cadeira.
Ele não se levantou.
Valerie tirou os óculos escuros. “Você deveria ter me ligado.”
Arthur olhou para ela por cima dos óculos. “Por quê?”
“Porque isso me afeta.”
Arthur tomou um gole moderado de café. “Só se você insistir em se envolver nisso.”
Valerie sentou-se sem ser convidada. “Daniel não me contou quase nada.” “É porque Daniel confunde silêncio com controle.”
Valerie inclinou-se para a frente. “Então me diga o que ele não vai dizer.”
Arthur a observou.
Ela tinha beleza, disciplina, inteligência social e a crueldade instintiva de alguém que havia subido na vida com tanta cautela que não tolerava nenhum deslize.
Em outro contexto, ele talvez a admirasse mais.
Mas hoje ela não era sua prioridade.
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