O corredor do lado de fora do quarto do hospital estava silencioso.
Não era um silêncio tranquilo.
Era um silêncio tenso.
Um silêncio que dava a sensação de que o próprio prédio estava prendendo a respiração.
Camila Reyes encostou-se na parede fria ao entrar no corredor, o avental do hospital roçando suavemente o chão polido. Cada passo lhe causava uma onda de dor no abdômen. Os pontos repuxavam. Suas pernas tremiam.
Os médicos a haviam avisado que ela nem deveria estar de pé ainda.
Mas esta noite…
ficar de pé era a coisa menos perigosa que ela planejava fazer.
No final do corredor, uma enfermeira empurrava um carrinho em frente à janela do berçário. Atrás do vidro, o fraco brilho azul dos monitores cintilava como estrelas distantes.
Quatro berços.
Quatro pequenas formas envoltas em cobertores brancos.
Seus filhos.
Camila parou ali.
Por um instante.
Sua mão pressionou o vidro.
Quatro batimentos cardíacos.
Quatro vidas frágeis que quase lhe custaram a própria vida.
E o homem que ajudou a criá-las já havia decidido que não passavam de recursos.
Ele nem se deu ao trabalho de vê-las.
Nem uma vez.
Camila engoliu em seco, sentindo um nó na garganta.
Não.
Ela não podia chorar agora.
Chorar desperdiçava oxigênio.
E esta noite, cada respiração importava.
Seu celular vibrou suavemente em sua mão.
Uma mensagem.
Sophia:
A escala de segurança acabou de mudar. Você tem cinco minutos.
Camila expirou lentamente.
Cinco minutos.
Só isso.
Ela empurrou a porta do berçário.
Lá dentro, as luzes estavam fracas.
Uma jovem enfermeira estava sentada no balcão, mexendo em seu tablet, mal levantando os olhos.
Hospitais à noite sempre funcionam com um cansaço silencioso.
Camila caminhou lentamente em direção aos berços.
Suas pernas pareciam pertencer a outra pessoa. O primeiro bebê se mexeu quando ela se aproximou.
Um pequeno punho se estendeu para fora do cobertor.
Um gemido suave.
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