“Por favor, finja que me ama”, ela sussurrou — e o CEO milionário entrou na brincadeira.

Ella o encarou, atônita.

Noivos.

Ele estava mesmo fazendo isso.

Ela mal conseguia respirar.

“Parabéns”, disse Vivien, com rigidez. “Que surpresa.”

Damian se virou para Ella. Por um instante, seus olhares se encontraram, e ela viu algo ali. Não era cálculo. Não era atuação. Algo mais.

Ella conteve as lágrimas, não de humilhação, mas pela firmeza com que ele a apoiou. Num momento em que ela poderia ter desmoronado, ele a sustentou.

Charles parecia querer dizer mais alguma coisa, mas um garçom o interrompeu para conduzir os recém-casados ​​ao palco principal para a primeira dança. As pessoas voltaram às suas conversas, embora os olhares ainda permanecessem fixos neles.

Ella puxou Damian para um canto, a voz quase num sussurro.

"Por que você disse isso?"

Ele olhou para baixo. "Porque isso os calou."

Ela balançou a cabeça. "Aquele beijo."

"Pensei que, se fosse para atuar", disse ele, "poderia ser convincente."

As bochechas dela coraram, mas ela não insistiu no assunto.

A verdade era que ela não odiava aquilo.

Ela esperava se sentir envergonhada, pequena, esquecida. Mas, ao lado de Damian, ela se sentiu segura e vista. Talvez fosse tudo uma farsa. Talvez fosse um momento de impulso.

Mas, conforme a música aumentava e os recém-casados ​​dançavam, Ella se pegou pensando se fingir, só por aquela noite, não seria a única coisa real que ela sentira em muito tempo.

Parte 2

A noite caiu suavemente sobre a cidade, projetando reflexos prateados nos vidros escuros do carro de Damian. Lá dentro, reinava o silêncio. Ella, exausta pela noite carregada de emoções, adormecera no banco do passageiro. Seus cabelos dourados emolduravam o rosto, e suas mãos repousavam levemente no colo. Mesmo dormindo, havia uma sombra de tristeza por trás de sua expressão serena.

Damian olhou para ela, apertando levemente o volante.

Ele não a acordou.

Não podia.

Em vez disso, deixou o silêncio envolvê-lo e permitiu que sua mente vagasse para trás, muito além de salas de reuniões, riqueza e ternos impecáveis.

De volta a quando ele era apenas Damian.

Não o Sr. Hawthorne.

Ele tinha 13 anos, era magro, raivoso e solitário. O orfanato era frio no inverno e sufocante no verão. As refeições eram esquecíveis. As paredes estavam sempre descascando. Os garotos mais velhos brigavam pela dominância, enquanto os mais novos choravam baixinho nos cantos.

Damian não fazia nenhuma das duas coisas.

Ele manteve a cabeça baixa e sobreviveu.

Até que ela chegou.

Ela era mais velha, talvez com 17 ou 18 anos, tinha cabelos loiros presos num coque desarrumado, pernas longas e um jeito de dançar.

A postura dela. Ela entrou usando uma jaqueta desbotada e sapatilhas de balé. Seu sorriso era radiante demais para um lugar tão sem graça.

Ele se lembrou de como todas as crianças o encaravam. Ninguém nunca vinha apenas para passar um tempo com elas, especialmente alguém como ela.

Ela se apresentou simplesmente.

Ella.

Ela as ensinou a se alongar, a apontar os dedos dos pés, a fingir que estavam flutuando mesmo quando se sentiam pesadas. As outras crianças riam, se esforçavam e caíam.

Damian a observava com silenciosa admiração.

Ela era leve, o oposto de tudo em seu mundo.

Ela vinha uma vez por semana durante dois meses. Era o único momento em que a sala comum não parecia uma gaiola.

Em seu último dia, ela puxou Damian para um canto.

"Trouxe algo para você", disse ela, sorrindo.

De sua bolsa, ela tirou uma sapatilha de balé gasta, rosa claro e desfiada nas costuras. O cetim havia desbotado com o uso.

Ele a encarou.

“Não preciso mais disso”, disse ela. “Mas talvez você precise.”

Ele pareceu confuso.

Ela se ajoelhou para que seus olhos encontrassem os dele.

“Escuta, tá bem? Se um dia você conseguir, se você sair daqui e encontrar o seu lugar no mundo, ajude alguém do jeito que estou tentando te ajudar.”

A voz dela tremeu um pouco.

“Me prometa isso.”

Ele assentiu, sem confiar em si mesmo para falar.

Então ela o abraçou. Breve. Caloroso. Passou rápido demais.

Ela nunca mais voltou.

Mas Damian nunca se esqueceu.

De volta ao presente, Damian estacionou o carro em frente à sua cobertura. Ella ainda dormia, sua respiração suave. Ele abriu o porta-luvas e tirou uma pequena caixa de couro desgastada, com cantos envelhecidos.

Ele a abriu lentamente.

Dentro, embrulhada em papel de seda, estava a sapatilha de balé.

O tempo não tinha sido gentil com ela. O cetim estava opaco. A sola estava se desfazendo. Mas ele a guardara, carregando-a de um lugar para outro, do escritório para casa, de um sucesso para outro, porque ela o lembrava de que alguém um dia acreditara que ele merecia ser salvo.

Agora, tantos anos depois, aquela garota estava sentada ao lado dele novamente. Adormecida. Frágil. Inconsciente.

Inconsciente de que o homem a quem ela implorara para fingir que estava dormindo um dia se agarrara ao seu presente como a uma tábua de salvação.

Damian se virou para ela e delicadamente colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha dela. Seus dedos hesitaram por um instante.

"Ainda iluminando onde há mais escuridão", murmurou ele.

Ela se mexeu levemente, mas não acordou.

Ele olhou para o chinelo em sua mão.

"Você me salvou primeiro, Ella."

Agora era a vez dele.

Nos dias após o casamento, Ella se viu imersa em uma vida que parecia emprestada. Galas beneficentes. Jantares em terraços. Exposições de arte. Sempre com Damian ao seu lado. Para todos os outros, eles eram um casal perfeito: o misterioso CEO e sua elegante noiva.

Para ela, ainda era um acordo.

Pelo menos, era o que ela repetia para si mesma.

Eles nunca haviam falado sobre termos ou prazos. Tudo começou com uma única frase.

Venha comigo.

De alguma forma, não havia terminado.

Damian nunca questionou. Ele simplesmente aparecia. Carro pronto, apresentação impecável, presença constante. Ele representava o papel perfeitamente.

Mas o que incomodava Ella eram os momentos em que não parecia atuação.

Em um brunch no jardim, certa manhã, um garçom se aproximou.

“A senhora gostaria de um chá?”

Antes que ela pudesse responder, Damian disse sem levantar os olhos.

“Camomila. Um pouco de mel. Sem limão.”

Ella piscou.

Ele finalmente a encarou.

“É o que se bebe depois de um longo dia, não é?”

Ela assentiu lentamente. "Sim. É."

Ele voltou a mexer no celular como se nada tivesse acontecido, deixando-a silenciosamente atônita.

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