Por 15 anos, nossa madrasta fez minha irmã gêmea e eu acreditarmos que nossa mãe nos abandonou — até que, um dia, eu acidentalmente ouvi a verdade chocante

 

“Não peça desculpas. Seja grata.”

 

Isso virou a trilha sonora da nossa infância. Ouvíamos essas palavras toda vez que pedíamos passeios da escola ou casacos de inverno.

 

“Dinheiro está curto, meninas”, Jean suspirava. “Vocês sabem o quanto seu pai trabalha duro.”

 

Então nos virávamos com roupas usadas, comida barata, sem aniversários e sem férias.

 

Enquanto isso, o armário de Jean florescia com casacos de grife. Ela tinha um celular novo todo ano e ia ao spa pelo menos uma vez por mês.

 

“Por que a Jean ganha coisas novas e a gente não?” perguntei à Lily uma vez, debaixo das cobertas.

 

“Shhh”, sussurrou ela. “Não a irrita. Ela pode ir embora também.”

 

Esse era o medo que nos moldava: o de que mães vão embora e que o amor precisava ser conquistado sendo pequenas, silenciosas e gratas o tempo todo.

 

Acreditávamos que éramos o tipo de filhas que uma mãe poderia abandonar. Já tinha acontecido uma vez, e tínhamos medo de acontecer de novo.

 

Não fazíamos ideia de que tudo o que sabíamos sobre o desaparecimento da nossa mãe era mentira.

 

A viagem até a casa de Jean parecia diferente naquele Dia das Mães.

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