Parte 1-2 O juiz estava prestes a conceder a custódia de uma mãe... até que seu filho gritou ao fundo: "Ele está mentindo!"

A sala do tribunal estava mergulhada em um silêncio pesado. Não era um silêncio tranquilo, mas um silêncio que parecia apertar o peito. Os advogados examinavam os papéis, os presentes cochichavam baixinho e o juiz observava os documentos com uma expressão séria.

Na primeira fila estava Mateo, um menino de sete anos de terno cinza, camisa branca e gravata preta. Suas mãozinhas estavam cerradas sobre os joelhos. Seus olhos estavam vermelhos, como se tivesse chorado a noite toda, mas ninguém lhe perguntou nada.

Ao seu lado estava Elena, a babá que cuidava dele desde bebê. Era uma mulher humilde, de pele morena, com uniforme preto, avental branco e um boné simples. Seus lábios tremiam e uma das mãos repousava no ombro do menino, tentando lhe dar força sem dizer uma palavra.

Na cabeceira da sala estava Rodrigo Salazar, padrasto de Mateo.

Era um homem elegante, de cerca de quarenta e cinco anos, vestido com um terno escuro impecavelmente passado. Ele tinha uma voz firme, um olhar confiante e aquele tipo de presença que fazia as pessoas acreditarem nele mesmo antes de ouvirem suas palavras.

À sua frente, sentada ao lado de seu advogado, estava Cláudia, a mãe de Mateo.

Seu rosto estava pálido. Ela tinha um braço enfaixado, o cabelo preso descuidadamente e os olhos cheios de medo. Durante semanas, Rodrigo disse que ela era instável, que não conseguia cuidar do filho, que havia sofrido um «acidente» porque ele estava fora de controle.

E agora o juiz estava prestes a decidir se Mateo deveria ficar com Rodrigo.

«Sr. Salazar», disse o juiz, «repita perante este tribunal o que aconteceu naquela noite».

Rodrigo suspirou como um homem cansado de sofrer.

Cláudia estava chateada. "Discutimos porque ela queria levar a criança sem me avisar. Ele subiu correndo as escadas, perdeu o equilíbrio e caiu. Tentei ajudá-la."

Cláudia balançou a cabeça, chorando.

«Isso não é verdade…»

Rodrigo olhou para ela com uma tristeza fingida.

— Claudia, por favor. Não torne isso mais difícil.

O advogado de Rodrigo se levantou.

— Meritíssimo, meu cliente só quer proteger a criança. A Sra. Claudia demonstrou um comportamento impulsivo e perigoso.

Mateo baixou a cabeça.

Elena sentiu a criança tremer.

— Respire, meu amor — sussurrou.

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