Mas Mateo não conseguia respirar direito. Cada palavra de Rodrigo era como uma pedra em seu peito. Ele se lembrava daquela noite. Lembrava-se dos gritos. Lembrava-se da mãe chorando na escada. Lembrava-se da mão de Rodrigo a empurrando.
E lembrava-se da ameaça.
— Se você falar, nunca mais a verá.
A partir daquele momento, Mateo quase não dormiu.
O juiz olhou para Claudia.
— Senhora, a senhora tem alguma prova de que foi empurrada?
Claudia abriu a boca, mas não conseguiu responder. Não havia câmeras na escada. Os funcionários foram demitidos no dia seguinte. Rodrigo havia limpado tudo antes de chamar a ambulância. Elena franziu os lábios. Sabia que algo estava errado, mas não tinha visto diretamente. Encontrou apenas Matthew escondido debaixo de uma mesa, tremendo e repetindo: "Não consigo falar, não consigo falar".
O juiz pegou um documento.
"A criança apresentou sinais de medo e ansiedade. No entanto, não declarou nada contra o Sr. Salazar."
Rodrigo olhou para Mateo.
Foi um olhar rápido.
Frio.
Mateo sentiu as mãos congelarem.
O juiz continuou:
"Este tribunal deve priorizar a estabilidade da criança. Portanto, estou considerando conceder a guarda provisória ao Sr. Salazar enquanto a mãe é avaliada."
Cláudia soltou um soluço.
"Não, por favor. Não tirem meu filho de mim."
Rodrigo baixou o olhar, fingindo dor.
"Só quero o melhor para Mateo."
Então algo dentro da criança se quebrou.
Mateo se levantou no banco.
Elena tentou segurá-lo, mas ele ergueu o braço e apontou diretamente para Rodrigo.
"Senhor Juiz, ele está mentindo!"
A sala inteira se virou para ele.
O juiz ergueu o olhar.
"Criança, sente-se, por favor."
Mateo negou veementemente. Lágrimas escorriam pelo seu rosto, mas seu dedo ainda apontava para Rodrigo.
"Eu vi o que ele fez naquela noite!"
Rodrigo empalideceu.
"Aquele menino não sabe o que está dizendo."
Mateo gritou mais alto:
"Sim, eu sei! Você empurrou minha mãe escada abaixo!"
Um murmúrio percorreu a sala.
Cláudia cobriu a boca com as duas mãos.
Elena começou a chorar atrás da criança.
Rodrigo deu um passo à frente, furioso.
—Isso é manipulação! Alguém disse que diria isso!
Mateo temblaba, mas não se detuvo.
—Nadie me disse nada. Eu estava escondido junto à porta. Mamãe queria irse porque você usou a coragem. Você agarrou o braço e disse: “Rodrigo, me estás lastimando.” Depois você usou o empujó.
El juez se inclinou para frente.
—Mateo, você está seguro do que você vê?
El niño asintió, llorando.
— Sim, senhor Juez.
Rodrigo aproveitou os puños.
—É uma criança asustada. Está confuso.
Mateo bajó la voz. Su corpo entero temblaba.
—E depois de me dizer que se falasse, nunca voltaria a ver.
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