Imagens de vigilância.
Uma cópia da chave de autorização privada de Dominic.
Então Victor colocou o pen drive que Chloe havia encontrado no cofre ao lado deles.
Dominic olhou fixamente para ele.
A máscara se quebrou.
Não completamente.
O suficiente.
"Ela não tinha ideia do que viu", disse Victor. "É isso que torna tudo patético. Você destruiu minha vida porque uma mulher grávida viu números que não entendia."
As narinas de Dominic se dilataram.
"Sua vida?", ele retrucou. "Eu salvei sua vida. Aquela mulher estava te enfraquecendo. Você estava ouvindo o que ela dizia. Questionando as coisas. Falando sobre hotéis legítimos, clínicas de caridade, contratos de construção transparentes. Você ia transformar esta família em um clube de campo."
A voz de Victor permaneceu calma.
"E isso te assustou?"
"Me deu nojo."
Dominic se levantou, a raiva o tornando imprudente.
“Você nasceu para governar, não para brincar de casinha com uma garçonete. E não me olhe assim. Ela nunca foi uma de nós. Era frágil. Pobre. Emocional demais. Comum demais.”
Victor se levantou.
Todos os homens na sala se remexeram.
Dominic percebeu.
Pela primeira vez, ele pareceu com medo.
Victor contornou a mesa e parou a centímetros dele.
“Aquela mulher comum deu à luz sozinha, sob um nome falso, por sua causa. Trabalhou à noite com os pés inchados por sua causa. Passou fome para que meus filhos pudessem comer por sua causa. Ontem à noite, meu filho e minha filha estavam sentados em um banco na chuva congelante por sua causa.”
A boca de Dominic se contorceu. “Então me mate.”
A sala prendeu a respiração.
Victor o encarou por um longo tempo.
Então disse: “Não.”
Os olhos de Dominic se arregalaram.
“Não?”
“Não”, repetiu Victor. “Isso seria fácil. Seria o jeito antigo. Chloe me pediu para não me tornar o motivo pelo qual ela se arrepende de ter sobrevivido.”
Dominic deu uma risada áspera e incrédula. "Você já está deixando ela te controlar?"
Victor se inclinou para mais perto.
"Não. Estou deixando ela me lembrar que agora tenho filhos."
Ele se virou para Thomas Sterling, que saiu das sombras acompanhado de dois agentes federais que Victor jamais imaginara convidar para um de seus aposentos.
O rosto de Dominic empalideceu.
Victor colocou um envelope grosso sobre a mesa.
"Registros financeiros completos. Contas offshore. Roubo de pensão. Suborno. Extorsão. E sua confissão gravada dos últimos três minutos."
Dominic avançou, mas Declan o segurou antes que ele se movesse.
"Você não pode fazer isso", cuspiu Dominic. "Me entregue, eu falo. Eu queimo você também."
O sorriso de Victor era frio.
"Eu sei."
Dominic parou de se debater.
"Passei doze horas fazendo os preparativos", disse Victor. “Os negócios legítimos da família Romano são suficientemente limpos para sobreviver. O resto será cortado, vendido ou enterrado tão fundo que ninguém o encontrará. Homens sedentos de sangue podem segui-lo até a prisão. Homens que almejam um futuro podem trabalhar para mim à luz do dia.”
“Você perderá tudo.”
Victor olhou para as janelas do clube, onde o amanhecer começava a clarear o céu.
“Não”, disse ele. “Quase perdi tudo em um banco de parque.”
Os agentes levaram Dominic embora aos gritos.
Quando o sol nasceu completamente sobre Chicago, o império Romano já havia começado a mudar.
Não suavemente.
Não de forma limpa.
O poder nunca se desfaz sem derramamento de sangue em algum lugar sob a superfície, e Victor sabia que não devia fingir o contrário. Mas, pela primeira vez na vida, ele direcionou seu poder para algo além do medo.
Os prédios de Abernathy foram colocados sob administração judicial emergencial. Os inquilinos receberam aquecimento, reparos e assistência jurídica. O antigo apartamento de Chloe foi aberto por ordem judicial. Rosa foi com a equipe recolher todos os bichinhos de pelúcia, todos os desenhos a giz de cera, todos os pijamas pequeninos.
Quando Lily viu seu cobertor de patinho amarelo de novo, chorou tanto que Chloe teve que se sentar.
Naquela tarde, Arthur observava Victor do outro lado do berçário com seus olhos azuis solenes.
“Você é meu pai?”, perguntou.
Chloe ficou imóvel.
Victor se agachou para não ficar muito mais alto que ele.
“Sim”, disse. “Sou eu.”
“Onde você estava?”
Sem acusação.
Apenas a pergunta de uma criança.
Victor se sentiu menos preparado para aquilo do que para qualquer guerra que já tivesse travado.
“Eu não sabia onde você estava”, disse. “Mas eu deveria ter te encontrado antes.”
Arthur refletiu sobre isso.
“Mamãe sempre encontrava comida”, disse.
Victor olhou para Chloe.
Ela estava parada perto da porta, com uma das mãos na boca.
“Eu sei”, disse Victor. “Sua mãe é a pessoa mais forte que eu já conheci.”
Arthur assentiu, como se fosse óbvio.
Então, estendeu um caminhãozinho de brinquedo.
Victor o pegou como uma oferenda sagrada.
Seis semanas depois, Victor alugou todo o salão de baile do Hotel Drake.
Não para uma coroação do crime.
Para um casamento.
A lista de convidados era tão estranha que faria as colunas de fofoca se engasgarem. Juízes. Ex-sindicalistas. Assistentes sociais. Moradores de South Halsted. Uma enfermeira pediátrica que havia tratado a tosse de Lily. Rosa e toda a sua família. Declan, desconfortável em um smoking, fingindo não chorar.
Havia também homens do antigo mundo de Victor, parados rigidamente perto das paredes do salão, observando seu chefe se casar com a mulher que muitos deles antes consideravam uma fraqueza.
Agora eles entendiam.
Chloe Henderson não havia enfraquecido Victor Romano.
Ela havia salvado o que restava dele.
Lá em cima, Chloe estava em frente a um espelho, vestindo um vestido marfim de mangas compridas e um decote que a fazia sentir-se elegante em vez de exposta. Durante anos, ela se vestira para se esconder. Esta noite, o vestido não a escondia. Ele a honrava. A suavidade do seu corpo. A força dos seus ombros. As cicatrizes, as estrias e a história sob a seda.
Rosa ajeitou o véu.
“A senhora está linda, senhora.”
Chloe sorriu em meio às lágrimas. “Pareço que sobrevivi.”
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