O chefe da máfia fez uma pergunta simples a uma garçonete, mas a resposta dela trouxe à tona seu segredo mais mortal.

Os funcionários da limpeza se dispersaram.

Isabella irrompeu do cofre e disparou duas vezes, forçando o líder a se esconder atrás de uma coluna.

Lorenzo atirou no teto.

Não para matar.

Para criar pânico.

Martha gritou. O segurança desmaiou. Um pote de balas de menta se estilhaçou no chão como pequenos dentes vermelhos e brancos.

“O caminhão está destruído!” gritou Lorenzo.

“Porta dos fundos!”

Eles correram pelo corredor dos funcionários, passaram por uma sala de descanso com um micro-ondas e um calendário de gatinhos, e entraram no beco.

Atrás deles, tiros abafados ecoavam pela moldura da porta.

Lorenzo mancava muito.

Um estilhaço de vidro havia cortado sua coxa.

“Me dê o livro”, disse ele entre dentes cerrados.

“Não.”

“Eu posso atrasá-los.”

“Não.”

“Isabella—”

Ela o agarrou pela gola. “Eu não passei vinte anos caçando você só para deixá-lo morrer nobremente em um beco do Wisconsin.”

Eles cambalearam até a Rua Principal.

Os faxineiros surgiram atrás deles, com as armas em punho.

Não havia onde se esconder.

Então Isabella ouviu a buzina.

Um ônibus da Greyhound descia a rua em alta velocidade, em direção à rodovia.

O compartimento de bagagem lateral estava ligeiramente aberto.

“Pule”, disse ela.

Lorenzo olhou para ela. “O quê?”

“Pula!”

Quando o ônibus passou entre eles e os homens armados, Isabella empurrou Lorenzo em direção ao bagageiro aberto. Eles caíram lá dentro, entre malas e mochilas, enquanto as balas ricocheteavam na lataria do ônibus.

O motorista entrou em pânico e acelerou.

No compartimento escuro e apertado, Lorenzo estava deitado de costas sobre uma mala florida, respirando com dificuldade.

“Você é louca”, disse ele.

Isabella tirou o livro-razão do bolso da jaqueta.

“Não”, disse ela, levantando o celular quando o sinal voltou. “Cansei de ficar calada.”

Parte 3

A transmissão ao vivo começou na escuridão.

A princípio, os espectadores viam apenas sombras, luzes trêmulas e o rosto pálido de uma mulher espremida no bagageiro de um ônibus em alta velocidade.

Então Isabella falou.

“Meu nome é Isabella Viti”, disse ela, com a voz firme apesar do rugido do motor. “Vinte anos atrás, minha família foi assassinada em Nova York. Disseram ao mundo que foi uma explosão de gás. Isso foi mentira.”

Lorenzo sentou-se ao lado dela, com sangue secando perto da raiz do cabelo.

Ele olhou para o telefone.

Para um homem que vivera a vida em sussurros, ver a verdade vir à tona foi mais violento do que qualquer tiro.

Isabella virou a câmera para ele.

“Este é Lorenzo Moretti”, disse ela. “O homem que ordenou a morte do meu pai.”

Comentários começaram a inundar a tela.

Quem é?

Isso é real?

É o Moretti.

Não acredito.

Chamem a polícia.

Isso é um filme?

Lorenzo falou antes que ela pudesse continuar.

“Ela está falando a verdade”, disse ele.

Sua voz estava rouca.

“Ordenei o assassinato de Luca Viti em 1999. Fiz isso porque acreditava que ele acabaria com as famílias. Estava enganada em muitas coisas. Não em todas. Mas o suficiente.”

Isabella olhou para ele.

Ele assentiu levemente com a cabeça.

Ela abriu o livro-razão.

“Mas esta história é maior do que um assassinato”, disse ela. “Este livro-razão contém trinta anos de pagamentos que ligam o crime organizado, a polícia, juízes, funcionários da prefeitura e o senador William Thorne a uma rede criminosa que está transportando crianças por portos americanos.”

O número de espectadores aumentou.

Duzentos.

Cinco mil.

Quarenta mil.

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