O chefe da máfia fez uma pergunta simples a uma garçonete, mas a resposta dela trouxe à tona seu segredo mais mortal.

“Esperei vinte anos para lhe fazer uma pergunta.”

Ele ergueu os olhos.

“Então pergunte.”

A voz de Isabella baixou.

“Quem está usando seu nome para transportar crianças pelo porto de Jersey?”

A acusação foi mais dura que uma facada.

Lorenzo ficou imóvel.

“O quê?”

“Contêiner 404”, disse Isabella. “Assinado com seu selo. Desembaraçado pela Frantic Shipping. Trinta meninas dentro. De doze a dezessete anos. Destino falsificado. Pagamento feito por meio de uma empresa de fachada ligada ao senador William Thorne.”

“Isso é impossível.”

“Não. Impossível era sobreviver ao seu incêndio. Isso é papelada.”

Lorenzo pareceu genuinamente confuso.

Pela primeira vez naquela noite, Isabella viu algo para o qual não estava preparada.

Ignorância.

Não inocência. Nunca inocência.

Mas ignorância.

“Eu não me envolvo com esses assuntos”, disse Lorenzo. “Nada de carne. Nada de crianças. Nunca.”

“Sua assinatura diz o contrário.”

“Minha assinatura pode ser copiada.”

“Então há um traidor à sua mesa.”

Seus olhos se voltaram para Dominic.

Era quase nada.

Quase.

Mas Lorenzo viu.

Dominic também.

Seu rosto mudou.

“Chefe”, disse Dominic, “ela está mentindo.”

Lorenzo lentamente soltou a gravata da faca. “É mesmo?”

“Ela é uma agente federal.”

“É mesmo?”

Isabella deu um leve sorriso. “Não exatamente.”

Dominic pegou a arma.

Lorenzo se levantou.

“Abaixe isso, Dom.”

A boca de Dominic se contorceu. “Não posso fazer isso.”

A sala respirou fundo uma vez.

Dominic apontou para Lorenzo.

“Você estava ficando mole”, disse Dominic. “Você ainda achava que isso era algum negócio sagrado de família. Não é. É logística. Portos. Contêineres. Compradores. Políticos. Você estava deixando dinheiro na rua por causa de fantasmas e regras.”

Lorenzo olhou para seu amigo mais antigo como se o visse através de um vidro.

“Você usou meu selo”, disse ele.

“Eu nos enriqueci.”

“Você vendeu crianças.”

O rosto de Dominic ficou vermelho. “Eu expandi.”

Carmine Russo, esquecido na beira da mesa, começou a tremer ainda mais.

O dedo de Dominic apertou.

O tiro ecoou pelo The Gilded Lily.

Por um segundo, ninguém se mexeu.

Então Dominic olhou para o vermelho que se espalhava por sua camisa.

Atrás dele, Carmine estava com as duas mãos em volta de uma pistola que devia ter pegado do paletó folgado de Dominic no meio do caos.

“Me desculpe”, gaguejou Carmine. “Ele ia atirar em você. Eu pensei… quer dizer, minha dívida… está tudo bem?”

Dominic desabou.

Lorenzo encarou o corpo.

Depois olhou para Carmine.

Depois para Isabella.

“Não”, disse Isabella friamente. “Nenhum de nós é bom.”

Gritos irromperam do lado de fora da sala. Homens da Moretti correndo. Rádios de segurança zumbindo. Sirenes distantes, ou talvez imaginárias.

Lorenzo ajeitou a gravata amassada.

“Você tem provas?”

“O suficiente para enterrá-lo. O suficiente para enterrar Thorne. Não o suficiente para salvar as garotas antes que o navio parta.”

“Quando?”

“Quarenta e oito horas.”

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