O cara mais popular da escola me convidou para o baile só para ele e a rainha do baile me humilharem na frente de todo mundo – mas a minha resposta deixou os dois sem palavras.

Sentei-me na beira da cama dela e segurei sua mão, tomando cuidado com o soro.

“O baile é em duas semanas,” disse ela suavemente. “A Rosa me contou.”

“Eu não vou,” protestei fracamente.

“Ivy.”

“Não tenho vestido, mamãe,” eu disse. “Não tenho par, e não quero dar outro motivo para a Kenzie rir.”

 

O nome escapou antes que eu pudesse impedir.

 

Os olhos da mamãe buscaram os meus. “Ela ainda pega no seu pé?”

“Ela respira,” eu disse, revirando os olhos. “Isso já basta.”

 

Uma memória entrou sem permissão. Refeitório da sexta série. Kenzie segurando uma caixinha de suco, anunciando à mesa que minha mãe havia limpado o vômito de alguém perto do saguão do hotel numa manhã. O riso era um som que eu nunca parava de ouvir.

 

“Você merece uma noite bonita,” disse mamãe. “Apenas uma. Você vai tentar? Por mim?”

 

Eu queria dizer não.

“Vou pensar sobre isso,” menti, porque nunca poderia dizer não a ela quando ela me olhava assim.

 

Ela apertou minha mão com a pouca força que ainda lhe restava. “Me prometa outra coisa. Se alguém algum dia tentar te machucar, de verdade, não carregue isso sozinha.”

“Mamãe, é só ensino médio.”

“Me prometa, Ivy.”

“Eu prometo,” eu disse.

 

Do lado de fora do quarto dela, a Tia Rosa esperava com dois copos de café do hospital.

 

“Ela falou sobre o baile, não foi?” murmurou. “Sua mãe me ligou ontem e perguntou se eu ainda tinha minha máquina de costura.”

 

Quase ri. Quase chorei. Mamãe estava morrendo e ainda pensava em barras de roupa.

 

Na segunda-feira, entrei na escola sentindo algo que não conseguia nomear. Carter estava em seu armário, cercado por sua turma habitual, jaqueta de beisebol pendurada em um ombro. Seus olhos se levantaram quando passei.

 

Ele olhou para mim. Não através de mim, como tinha feito por quatro anos. Para mim.

Do outro lado do corredor, Kenzie o observava me observar, e o sorriso dela se curvou em algo que eu ainda não reconhecia.

 

 

 

As flores foram a primeira coisa que notei. Cravos baratos, embrulhados em celofane de supermercado, com adesivo ainda na lateral. Carter as estendeu como um troféu.

“Você vai ao baile comigo?”

 

Olhei para trás. Duas vezes. O corredor ficou de repente silencioso demais, cheio demais de celulares apontados para nós.

Do outro lado, Kenzie se encostava no armário, sorrindo como se já soubesse como a história ia acabar.

 

“É uma piada?” perguntei.

“Não é piada, Ivy,” disse Carter. “Estou falando sério.”

 

Minha boca se abriu. A palavra não estava pronta na minha língua.

 

Então pensei na mamãe naquela cama de hospital, nos olhos dela se iluminando sempre que eu mencionava algo próximo de uma vida adolescente normal.

“Ok,” sussurrei. “Sim.”

 

Por três dias, Carter desempenhou o papel perfeitamente. Ele mandava mensagens perguntando a cor do meu vestido. Queria saber se eu gostava de rosas ou lírios. Na quarta-feira, me parou na cafeteria.

“Sei que tenho uma reputação,” disse ele. “Mas queria te convidar faz um tempo.”

 

Quase acreditei nele. Essa foi a pior parte.

 

Fui ao hospital naquela noite para contar à mamãe. A Tia Rosa estava saindo, equilibrando copos de café vazios e uma pilha de correspondência.

“Sua mãe esteve ocupada hoje,” disse ela. “Ao telefone a manhã toda. E o Sr. Lewis passou depois do almoço, trouxe alguns papéis para ela assinar.”

“Sr. Lewis?”

A Tia Rosa apenas deu um tapinha no meu braço e continuou andando.

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