Minha madrasta comprou para mim o pior vestido que conseguiu encontrar para me envergonhar no baile – mas antes da noite acabar, ela estava chorando e implorando para que eu o tirasse.

Alexis apareceu atrás dela, mãos entrelaçadas, com uma expressão que só podia ser descrita como ferida.

"O que há de errado com ele?" perguntou.

"É horrível," disse Brianna.

 

"Passei horas procurando esse vestido. Horas. É o vestido perfeito para a Emma."

Segurei-o contra meu corpo. "Alexis, parece algo de uma loja de segunda mão."

"Desculpe?"

"Desculpe. Só quero dizer que não parece novo."

Os olhos dela ficaram afiados. "Dirigi por três condados atrás desse vestido. Se você não consegue ser grata, esse é o seu problema."

Fui procurar meu pai.

Ele estava na garagem, meio debaixo do capô do carro, como sempre que as vozes começavam a subir em casa.

"Papai. Pode ver o vestido que a Alexis comprou para mim?"

Ele enxugou as mãos num pano e me seguiu de volta para dentro.

Mostrei a ele o vestido dourado mostarda pendurado na porta do meu armário. Ele olhou por um longo tempo, depois se virou para mim e disse algo que partiu meu coração.

"Em, querida. Ela tentou," disse com voz baixa.

"Papai, por favor."

"É só uma noite. Apenas valorize o esforço, ok? Não quero outra briga nesta casa."

A voz dele estava cansada. Do tipo de cansaço que pede para não tornar as coisas mais difíceis.

Engoli tudo o que queria dizer. Em três meses eu estaria longe, morando em um dormitório em outro estado.

"Ok," disse. "Ok, pai."

 

A noite do baile chegou mais rápido do que eu queria. Fiquei em frente ao espelho no vestido dourado mostarda e tentei não me olhar diretamente.

 

Alexis dirigiu. Brianna sentou no banco da frente, mexendo no celular, tirando selfies com o espelho do visor.

Alexis estava cantarolando.

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