"As joias serão divididas entre os amigos e conhecidos nomeados."
Esperei. Ele não levantou os olhos.
"E para mim?" finalmente perguntei.
Os olhos do Sr. Bennett se ergueram lentamente. "Não há mais nenhuma disposição no testamento. Sinto muito."
Saí do escritório em silêncio, os anos desmoronando atrás de mim como um corredor sem portas, me perguntando a que diabos eu havia dedicado minha vida.
Dirigi de volta para casa em silêncio, as palavras do advogado ainda ecoando nos ouvidos.
Anos da minha vida, e nada a mostrar.
Sentei na beira da cama e fiquei olhando para a parede até a luz lá fora desaparecer. Cada jantar frio, cada crítica, cada café da manhã silencioso passava como um filme que eu não conseguia parar.
Meu telefone vibrou. O nome de Linda acendeu a tela.
Quase não atendi. Mas atendi.
"Emily, querida," disse ela suavemente. "Só queria dizer o quanto sinto muito. Sua avó, ela sempre sabia o que estava fazendo, sabe."
Algo se quebrou dentro de mim.
"Ela sabia o que estava fazendo?" disse eu. "Isso deveria me confortar, Linda?"
"Não foi isso que quis dizer."
"Eu dei banho nela. Levei-a a todas as consultas. E você fica com as economias dela?"
Ela ficou em silêncio por um longo momento. "Você ainda não entende tudo, Emily."
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