"Estou tentando, mãe," sussurrei. "Eu realmente estou."
Meu telefone vibrou contra a mesa. A tela mostrava a casa da vovó. Quase não atendi.
"Alô?"
"Emily, aqui é a Linda."
Linda era a governanta da minha avó desde antes de eu nascer. Sempre atendia o telefone primeiro, sempre com aquele tom cuidadoso e medido.
"Sua avó quer falar com você," continuou Linda. "Espere um momento."
Houve um longo barulho de cadeira rangendo, então uma voz mais fina do que eu lembrava.
"Emily."
"Vovó. Está bem?"
"Não. Não estou."
Apertei o telefone com mais força. Ela não perdia palavras. Nunca havia perdido.
"Os médicos dizem que não tenho muito tempo," continuou a vovó. "Um ano, talvez dois."
Eu não sabia o que dizer. Não falávamos há oito meses. Antes disso, eram cartões de aniversário com apenas uma linha escrita dentro.
"Desculpe," consegui finalmente dizer.
"Não peça desculpas. Seja útil. Preciso que alguém cuide de mim," disse ela. "A Linda não consegue sozinha. Quero que você venha para casa."
"Vovó, eu tenho trabalho, eu tenho—"
"Emily." Sua voz cortou a minha. "Se você vier, tudo o que tenho será seu. A casa. Os supermercados. Tudo. Cada centavo."
Olhei para as contas na minha mesa.
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