Fiquei com as mãos entrelaçadas, vendo o caixão desaparecer centímetro a centímetro. Ao meu lado, Michael ficava limpando a garganta. Mara cruzava os braços sobre o corpo. Noah olhava à frente com a expressão de quem se esforça ao máximo para não desabar em público.
Fechei os olhos e sussurrei: “Obrigada, pai. Obrigada pelos almoços escolares com bilhetes escondidos nos guardanapos. Obrigada por aprender a trançar cabelo com um livro da biblioteca. Obrigada por pegar cinco filhos que não vinham do seu sangue e nunca nos fazer sentir emprestados.”
Minha mãe se casou com Thomas quando eu tinha cinco anos. Na primeira vez que o encontrei, ele se abaixou e estendeu um ursinho rosa com um olho faltando.
“Sua mãe disse que você é muito exigente,” ele me disse. “Este ursinho também parece de alta manutenção. Achei que vocês duas poderiam se dar bem.”
Peguei o ursinho. Ele sorriu: “Oi, Abóbora.”
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