Madison forçou um sorriso. “Eva, qual é. Éramos crianças.”
“Eu também era criança, Madison.”
O sorriso dela sumiu.
“Eu não sabia que você ainda estava magoada”, disse ela.
“Você não sabia porque nunca perguntou.”
“Era só uma memória engraçada.”
“Você lembrou da risada”, eu disse. “Eu lembrei de chorar em casa.”
Alguém no fundo disse: “Aquilo não era engraçado.”
Outra voz: “Nunca foi.”
Madison olhou ao redor, mas a sala não se voltou mais para ela.
“Todo mundo sofria bullying”, ela murmurou.
“Não”, eu disse. “Nem todo mundo teve uma câmera apontada enquanto tentava não chorar.”
O organizador se aproximou. “Eva, desculpa. Esse vídeo não deveria ter sido aceito.”
Eu assenti.
Então encarei o salão.
“Eu não quero ninguém expulso. Não quero um pedido de desculpas perfeito. Só quero que parem de chamar crueldade de nostalgia.”
Os olhos de Madison ficaram brilhando, mas não dava pra saber se era vergonha ou embaraço.
“Desculpa”, ela disse baixo. “Eu não pensei no que isso significava pra você.”
“Esse é o problema”, eu disse. “Você nunca pensou em mim como alguém que sente.”
Peguei minha bolsa e saí antes que ela dissesse mais alguma coisa.
Encontrei meu cardigã no banheiro, ainda dobrado no balcão onde deixei.
Por um segundo, segurei contra o peito.
Depois coloquei na bolsa.
Lá fora, no terraço, o ar frio bateu no meu rosto, e eu finalmente chorei. Não era o tipo antigo de choro.
Era diferente. Mais silencioso. Mais limpo.
A porta abriu atrás de mim.
“Eva?”
Ashley estava ali, abraçando os próprios braços.
“Se veio defender a Madison, não.”
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