Uma mulher mais jovem no bar deu uma risadinha. "Talvez o pai do bebê esteja lá fora vendendo mixtapes."
As palavras não foram gritadas.
Não precisavam ser.
Atingiram Lark como uma lâmina corta seda.
A garganta de Amara se fechou.
Não porque ela nunca tivesse ouvido coisa pior. Ela já tinha ouvido. Na faculdade de direito. Em tribunais. Em lojas de luxo. Em saguões de prédios onde os porteiros de repente esqueciam como as chaves funcionavam.
Mas a gravidez tinha transformado seu corpo em uma casa com uma luz acesa dentro. Cada insulto era como se alguém estivesse atirando pedras nas janelas enquanto seu filho dormia.
Ela pensou em Jae naquela manhã, em uma chamada de vídeo de Seul, com o cabelo ainda úmido do banho e a gravata frouxa.
"Chego às sete", ele havia prometido. "Pode ir em frente se eu me atrasar. Peça o robalo. Não fique esperando com fome."
"Você sempre me diz para não esperar com fome."
"Porque você se casou com um homem que se atrasa para tudo, menos para o perigo."
Ela revirou os olhos. "Você não é tão assustador quanto pensa."
Ele sorriu então, aquele sorriso suave e discreto que ninguém mais recebia. "Não. Mas para você, eu posso ser."
Agora Amara estava sentada no centro de um restaurante cheio de pessoas que decidiram que ela estava sozinha.
Suas mãos tremeram por um instante.
Ela as conteve antes que alguém pudesse ver.
Então a porta da frente se abriu.
O ar frio da chuva invadiu o cômodo.
E todas as cabeças se viraram.
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