Ele pensou que insultá-la na festa seria uma vitória – até que um bilionário a levou embora na frente de todos.

O Baile da Obsidiana não era apenas uma festa. Era um campo de batalha vestido de seda e veludo.

Realizado no grande salão de baile da Pierce Tower, uma estrutura de vidro e aço que se elevava acima das nuvens sobre Nova York, foi a noite em que alianças foram forjadas e reputações foram destruídas. Nela Parker estava parada na entrada, apertando com força a pequena carteira de contas que pertencera à sua avó. Ela se sentia uma impostora. O convite chegara anonimamente três dias antes, deslizado por baixo da porta de seu apartamento estúdio no Queens. Ela não deveria estar ali. Ela sabia disso.

Lá dentro, o ar cheirava a perfume caro, dinheiro antigo e ambição fria.

"Cabeça erguida, Parker."

Nela se virou e viu Valentina Cruz, sua primeira aliada naquele tanque de tubarões. Valentina vestia um elegante terninho vermelho que gritava desafio. Como uma editora de moda em ascensão, Valentina pertencia àquele lugar. Nela, uma arquiteta freelancer lutando para pagar o aluguel, não.

“Val, talvez eu devesse ir”, sussurrou Nela, com os olhos percorrendo o cômodo. “O Keaton está aqui. Vi o carro dele lá fora.”

“Claro que o Keaton está aqui”, zombou Valentina, entrelaçando seu braço no de Nela. “Ele é o novo vice-presidente de desenvolvimento da Anderson Pierce. Isso não significa que ele seja o dono do lugar. Você tem tanto direito quanto ele de estar aqui. Foi você quem corrigiu as falhas estruturais do projeto Bayside, mesmo que ele nunca tenha te dado o devido crédito.”

Nela fez uma careta. O projeto Bayside foi o estopim que finalmente separou seu casamento com Keaton Wells. Por dois anos, ela passou as noites em claro redesenhando suas plantas, corrigindo seus cálculos e refinando sua visão. Quando o projeto ganhou o Prêmio Golden Beam, Keaton subiu ao palco sozinho. Quando ela perguntou por que ele não a havia mencionado, ele disse que ela estava emocionada demais para entender de branding. Ele pediu o divórcio um mês depois, deixando-a apenas com dívidas e o coração partido. “Só estou aqui para fazer contatos, Val. Se eu conseguir um cartão, uma pista para um trabalho freelancer, já vale a ansiedade.”

“É isso aí”, disse Valentina, guiando-a em direção ao bar. “Só evite o centro do salão. É lá que os monstros do ego se alimentam.”

Evitar o centro provou ser impossível. O salão era projetado como um redemoinho, puxando todos para o círculo VIP onde Anderson Pierce, o anfitrião e magnata do ramo imobiliário, reinava. Bem ao lado dele, rindo um pouco alto demais e segurando um copo de uísque como se fosse uma arma, estava Keaton Wells.

Ele estava bonito. Essa era a parte injusta. Keaton tinha o tipo de queixo que vendia revistas e o tipo de olhos que podiam mentir sem piscar. Ele usava um smoking que custava mais do que o carro da Nela. Agarrada a ele estava Mira Steel, uma socialite cuja família era dona de metade das siderúrgicas da Pensilvânia. Mira era deslumbrante, cruel e exatamente o tipo de troféu que Keaton sempre quisera. Nela tentou se esconder atrás de uma escultura de gelo decorativa, mas o destino parecia estar de mau humor.

"Ora, ora", trovejou uma voz, cortando o jazz ambiente. "Se não é a ratinha."

Nela congelou.

A sala pareceu inclinar. Ela se virou lentamente e encontrou Keaton parado ali, o rosto corado de álcool e arrogância. Mira Steel estava ao lado dele, olhando Nela de cima a baixo com um sorriso presunçoso.

"Olá, Keaton", disse Nela, com a voz firme apesar do coração acelerado.

"Não sabia que os garçons podiam se misturar com os convidados", disse Mira, dando uma risadinha e cobrindo a boca com a mão cravejada de diamantes.

"Sou uma convidada, Mira", disse Nela baixinho.

Keaton riu, um som áspero e rouco. "Uma convidada? Quem te convidou? Você entrou escondida pela cozinha? Ou seduziu um porteiro?"

“Recebi um convite”, respondeu Nela, apertando a bolsa. “Agora, com licença.”

Ela tentou contorná-lo, mas Keaton desviou, bloqueando seu caminho. O círculo ao redor deles começou a se fechar. As pessoas pressentindo drama eram como tubarões farejando sangue. A conversa cessou. Os olhares se voltaram.

“Você não se afasta de mim enquanto estou falando”, sibilou Keaton, sua fachada charmosa se quebrando para revelar o valentão por baixo.

Ele estendeu a mão e puxou a alça do vestido dela. Era um vestido verde-esmeralda profundo que Nela mesma havia costurado, reformando uma peça vintage que encontrara em uma feira de antiguidades. Era elegante, modesto e bonito, mas, em comparação com a alta costura, Keaton o fazia parecer um trapo.

“Me deixe em paz, Keaton”, advertiu Nela, elevando a voz.

“Ou o quê?” Keaton se aproximou, pairando sobre ela. “Você vai corrigir meus projetos? Vai chorar? Vai pra casa, Nela. Você está se envergonhando. Está me envergonhando só por estar no mesmo CEP que eu.”

O silêncio no salão de baile era ensurdecedor. Até o quarteto de cordas pareceu falhar. Valentina Cruz abria caminho pela multidão, gritando o nome de Nela, mas a parede de corpos era muito densa. Nela estava presa no centro da arena.

Anderson Pierce, o apresentador, observava a poucos metros de distância. Ele não interveio. Era um homem que valorizava a força e queria ver se seu novo vice-presidente, Keaton, daria conta do recado.

dominância ou se ele era apenas um falastrão.

“Eu não vou embora”, disse Nela, encontrando uma reserva de força que desconhecia. “Eu tenho o direito de estar aqui. Meu trabalho—”

“Seu trabalho?” berrou Keaton. “Você não tem trabalho. Você não tem legado. Você era uma secretária com quem me casei por pena, porque parecia solitária na sala de descanso. Eu te dei uma vida, Nela, e você me sufocou com a sua mediocridade.”

Lágrimas brotaram nos olhos de Nela. Não eram apenas os insultos. Era a reescrita da história. As noites em claro que ela passou ensinando-o a usar o software CAD, os discursos que escreveu para ele, a maneira como o apoiou quando sua mãe morreu. Ele estava apagando a humanidade dela para inflar o próprio ego.

Mira Steel riu, inclinando-se para Keaton. “Ah, querido, não perca seu tempo. Ela está claramente querendo uma esmola. Talvez devêssemos lhe dar um cheque para um táxi.”

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