Ela lia histórias para um chefe da máfia em coma todas as noites — até que ele agarrou seu pulso e sussurrou seu nome.

A enfermeira é retirada do andar. Problema com as credenciais. Reunião de emergência. Tanto faz. Depois, um pequeno ajuste no soro. Cloreto de potássio. O coração para. Parece uma parada cardíaca.”

O sangue de Clara gelou.

O primeiro homem deu uma risadinha.

“Declínio trágico. O coitado finalmente sucumbiu.”

Clara recuou tão rápido que quase escorregou.

O café derramou em sua mão, queimando sua pele, mas ela mal sentiu. Caminhou rápido a princípio, depois correu, seus tênis rangendo no piso polido até chegar ao quarto 412.

Fechou a porta e a trancou.

Então ficou parada com as costas pressionadas contra a madeira, ofegante.

Nicholas jazia onde sempre jazia.

Impotente.

Desamparado.

Um homem temido por metade da cidade, agora à mercê de homens que o queriam morto.

A mente de Clara trabalhava a mil. Ela podia chamar a segurança, mas a segurança já pertencia a Leo. Podia chamar a polícia, mas todas as enfermeiras de Chicago tinham ouvido rumores sobre quais comandantes de distrito participavam dos eventos de arrecadação de fundos para Castiglione. Podia contar a um médico, mas médicos anotavam as coisas, e coisas escritas matavam pessoas.

Então Clara fez a única coisa que lhe veio à mente.

Foi até a cama de Nicholas, inclinou-se perto de seu ouvido e quebrou todas as regras de distanciamento profissional que... tinha ido embora.

“Nicholas”, ela sussurrou.

Sua voz falhou.

“Eu sei que você não deveria me ouvir. Eu sei que o exame diz que você se foi. Eu sei que isso é uma loucura. Mas se alguma parte de você ainda estiver aí dentro, me escute.”

O monitor emitiu um bipe.

“Leo Rossi vai te matar.”

Ela cobriu a boca, lutando contra as lágrimas.

“Eles vão parar seu coração e fazer parecer normal. Fim de semana. Por favor. Por favor, acorde. Lute. Faça alguma coisa. Não deixe que te enterrem vivo.”

Nada.

Clara pegou O Conde de Monte Cristo, mas naquela noite ela não leu com delicadeza. Ela leu como se fosse uma escritura. Como um aviso. Como uma corda jogada em um poço.

Ela leu sobre traição. Prisão. Vingança. Sobrevivência.

Em um dado momento, ela parou, as lágrimas embaçando a página.

“Você tem que ser Dantès”, ela sussurrou. “Você tem que voltar.”

Nicholas não se mexeu.

As máquinas responderam por ele.

Bip.

Bip.

Bip.

A tentativa de assassinato aconteceu na quinta-feira.

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