Rachel Kim devia dinheiro. Jonas a havia pago. A teoria era desagradável, mas plausível: ele queria que os embriões de Elise fossem trazidos ao mundo porque acreditava que Sebastian pretendia mantê-los congelados para sempre. Ele não havia planejado especificamente para Clara. Ele havia planejado para o caos.
E o caos a encontrou.
Clara se afastou da mesa. "Eu só estava tentando ter um bebê."
Sebastian se levantou. "Eu sei."
"Não, você não sabe." A voz dela falhou. "Você perdeu uma família. Eu entendo. Sinto muito. Mas eu entrei sozinha porque pensei que poderia construir uma. Assinei formulários. Segui as regras. Confiei nos médicos. E agora todos agem como se meu corpo fosse uma cena de crime."
Sebastian estremeceu.
"Eu não sou Elise", disse Clara. "Eu não sou uma substituta. Eu não sou sua incubadora. Eu não sou a vingança de Jonas. Eu sou a mãe deles."
"Eu sei disso."
"Sabe mesmo?" Lágrimas escorreram pelo seu rosto. "Porque às vezes você me olha como se eu carregasse fantasmas."
Sebastian empalideceu.
Por um longo momento, nenhum dos dois se moveu.
Então ele disse, bem baixinho: “No começo, sim.”
Clara prendeu a respiração.
“Quando ouvi falar dos embriões, tudo o que eu conseguia pensar era que Elise tinha voltado para mim de alguma forma. Através deles.” Sua voz ficou rouca. “Então eu te conheci. E você estava furiosa, apavorada e corajosa. E você ficava colocando a mão sobre eles como se pudesse protegê-los do mundo inteiro.”
Ele se aproximou, mas não muito.
“Eu ainda amo Elise. Sempre amarei. Mas eu não quero fantasmas, Clara. Eu quero essas crianças. Quero que elas estejam seguras. Quero você segura.”
Seu coração acelerou demais.
“Isso não é a mesma coisa que me querer.”
Os olhos dele se ergueram para os dela.
“Não”, disse ele. “Não é.”
As palavras deveriam tê-la aliviado.
Não aliviaram.
Naquela noite, Clara sonhou que havia alguém parado na porta do berçário.
Quando acordou, a casa estava silenciosa. Então, um vidro estilhaçou lá embaixo.
Clara sentou-se, com uma mão na barriga.
O alarme de segurança disparou.
Ela pegou o celular e trancou-se no banheiro, exatamente como a equipe de Sebastian havia instruído. Passos pesados ecoavam lá embaixo. Vozes gritavam.
Então, a voz de Sebastian veio através da porta.
“Clara. Sou eu.”
Ela abriu a porta e se jogou em seus braços.
Ele a segurou com cuidado, um braço em volta de seus ombros, o outro protegendo sua barriga sem tocá-la.
“Foi uma pedra”, disse ele. “Atravessou a janela da cozinha. A segurança encontrou outro bilhete.”
“O que dizia?”
Sebastian não respondeu.
“Diga-me.”
Seus olhos estavam duros.
“Dizia: ‘Se você não os entregar à família, não merece tê-los.’”
O medo de Clara se transformou em gelo.
“Estou indo embora”, ela sussurrou.
— O quê?
— Não posso ficar aqui esperando que algum homem em luto decida que sou o vilão da história dele.
— Minha segurança—
— Sua segurança não impediu a pedra.
Ele continuou imóvel.
l.
Ela se arrependeu instantaneamente, mas as palavras eram verdadeiras.
Sebastian olhou para a janela quebrada e depois para ela.
"Venha para a casa principal esta noite", disse ele. "Por favor."
O "por favor" a desestabilizou.
Ela assentiu.
Na casa principal, Sebastian lhe ofereceu o quarto ao lado do dele. Não por ser romântico, mas porque era a parte mais segura da propriedade.
Mas, algum tempo depois da meia-noite, Clara acordou de mais um pesadelo e o encontrou sentado no corredor, do lado de fora da porta dela, com o laptop aberto, a gravata frouxa, recusando-se a dormir.
"Você está me vigiando pessoalmente agora?", perguntou ela.
Ele olhou para cima. "Aparentemente."
"Isso é ridículo."
"Sim."
"Você tem guardas."
"Sim."
"Você é impossível."
"Já ouvi dizer."
Clara se encostou no batente da porta, exausta, assustada e, de alguma forma, reconfortada por vê-lo ali.
“Sebastian?”
“Sim?”
“Não quero ficar sozinha esta noite.”
Ele fechou o laptop.
Não a tocou. Não fez promessas. Simplesmente sentou-se na poltrona perto da janela dela até que ela adormecesse.
E, pela primeira vez desde a clínica, Clara dormiu a noite toda.
Parte 3
Quando Clara completou vinte e oito semanas, os gêmeos se tornaram impossíveis de ignorar.
Sua barriga estava redonda e pesada. O bebê A chutava sempre que Sebastian falava, como se já estivesse discutindo com ele. O bebê B se esticava sob as costelas de Clara toda vez que ela tentava dormir.
Sebastian havia se tornado constrangedoramente fascinado.
Ele lia livros sobre gravidez com a intensidade de um homem se preparando para uma fusão hostil. Sabia o tamanho das frutas que os bebês tinham a cada semana. Proibiu queijo mole na cozinha da propriedade. Certa vez, ele disparou três e-mails sobre segurança de colchões de berço às 2h da manhã.
“Você vai ser o tipo de pai que etiqueta lancheiras com contatos de emergência e tipos sanguíneos”, disse Clara a ele.
“Preparação salva vidas.”
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