Durante seis anos, sua mãe fez acreditar que sua esposa havia fugido... até que ele encontrou um menino que era sua cara. Na noite em que Alejandro Del Valle anunciou seu noivo, sua esposa falecida apareceu no quarto com um menino de 6 anos que tinha os mesmos olhos que ela.
Até aquele momento, a Fazenda Santa Rosalía era um cenário perfeito: lampiões antigos acesos, taças de cristal sobre toalhas de mesa brancas, arranjos de buganvílias frescas e o murmúrio elegante das famílias Parras, as mais ricas de Coahuila. Os convidados chegaram para celebrar a união de Alejandro, herdeiros dos vinhedos Del Valle, e Lucía Ibarra, filha de um empresário do ramo vinícola de Monterrey. Era um casamento de conveniência, uma aliança para quitar dívidas antigas e sustentar um nome de família que já se desmoronava por dentro.
Alejandro estava de pé junto à mesa principal, seu terno impecável, o coração pesado de tristeza. Ao seu lado, Lucía sorriu educadamente, mas sem amor. Ambos sabiam que aquele noivo era um acordo, não um sonho. Diante deles, Dona Marisela Del Valle, mãe de Alejandro, supervisionava cada detalhe com a mesma frieza com que administrava uma fazenda há 30 anos. Vestia-se de preto, como sempre, e sua mera presença fazia com que os trabalhadores baixassem o olhar.
—Esta casa precisa de firmeza, não de sentimentalismo—ele lhe dissera naquela tarde—. Seu pai está fraco, as contas estão em mau estado e Lucía é a solução.
Dom Ernesto Del Valle, pai de Alejandro, estava sentado numa poltrona perto da janela. Suas mãos tremiam. Seu rosto estava pálido e sua voz abafada. Durante anos, Dona Marisela lhe dera um remédio amargo que, segundo ela, a mantinha calma.
«Seu pai não pode mais fazer nada», ele repetia. «É por isso que você deve obedecer.»
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