“Nada grave. Uma infecção de ouvido aos quatorze meses. Resfriados comuns da creche.”
Uma infecção de ouvido.
Elliot imaginou Sienna passeando com um bebê chorando por um apartamento escuro às duas da manhã, enquanto ele dormia sozinho sob lençóis caríssimos.
“Problemas respiratórios na família?” perguntou a Dra. Reeves.
“Não”, respondeu Elliot, com a vergonha queimando por dentro. “Que eu saiba, não.”
As mãos de Sienna estavam cruzadas no colo. As unhas eram curtas, práticas, sem esmalte. Aquelas mãos já tinham feito de tudo.
A Dra. Reeves assentiu. “Ele deve se recuperar bem. Vai precisar de repouso, líquidos, remédio para a febre e alguém em casa com ele por alguns dias.”
Os ombros de Sienna se tensionaram quase imperceptivelmente.
Elliot se lembrou daquele sinal. Ela estava calculando. Prazos de trabalho. Perda de renda. Regras da creche. Contas.
“Eu fico com ele”, disse ele.
As duas mulheres olharam para ele.
Sienna franziu a testa. "Elliot, você não precisa dizer isso."
"Preciso sim", disse ele.
A Dra. Reeves, sabiamente, voltou para seu tablet. "Houve alguma mudança recente na rotina do Theo? Crianças pequenas podem ficar mais vulneráveis quando estão muito cansadas ou estressadas."
Sienna hesitou.
"Nos mudamos de apartamento no mês passado", disse ela. "Ele tem dormido mal desde então."
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