Após passar a noite com seu amante, a esposa grávida embarcou em um avião enquanto o amante implorava do lado de fora.

Quando Clara abriu os olhos novamente, estava no banco de trás de um carro que tinha um leve cheiro de couro, cedro e chuva. O interior estava quente. Suas mãos estavam cruzadas sobre o estômago. Um casaco escuro havia sido colocado sobre seus ombros.

Um homem estava sentado em frente a ela, não muito perto, com uma postura calma e serena.

"Você desmaiou", disse ele. "Estamos a cinco minutos de Lenox Hill. Liguei antes."

Clara tentou se sentar. "Quem é você?"

—Alexander Graves.

O nome surgiu na névoa de sua mente antes que ela o reconhecesse.

Alexander Graves. Transporte marítimo, imobiliário, capital privado. Um homem sobre quem se falava em sussurros, não por crueldade, mas porque seu silêncio incomodava os homens mais extrovertidos. Clara o vira nos salões de baile de eventos beneficentes. Ele raramente aparecia. Quando aparecia, os membros do conselho ajeitavam seus paletós.

—Eu não preciso…

"Sim, você precisa disso", disse ele gentilmente. "Você está grávida, perdeu a consciência e estava sozinha numa calçada de inverno. O orgulho pode esperar quinze minutos."

Não havia qualquer flerte em seu tom de voz. Nem pena. Apenas fatos.

Clara olhou para o casaco que lhe cobria os joelhos. Era de caxemira preta, pesado e caro, mas o calor apertava-lhe a garganta.

No hospital, tudo se tornou fluorescente e preciso. Enfermeiras circulavam ao seu redor. Um médico aferiu seus sinais vitais, fez perguntas com cuidado e passou um monitor sobre seu abdômen. Clara permaneceu imóvel, aguardando o único som que importava.

Então ele chegou.

Rápido, constante, animado.

O som das batidas do coração do bebê dela preenchia o quarto.

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