A viúva milionária comprou um marido para salvar seu império… mas na noite de núpcias, ela lhe pediu a alma.

PARTE 2

Ao amanhecer, Diego Martinez já havia aprendido que dinheiro não tornava uma casa segura. A mansão em Highland Park, Dallas, brilhava sob a pálida manhã texana como algo saído de uma revista, com degraus de calcário polido, sebes aparadas e janelas altas o suficiente para refletir todo o céu. Mas lá dentro, o silêncio era vigilante, quase vivo, como se cada corredor guardasse segredos e cada porta trancada estivesse à sua espera.

Ele dormira apenas três horas depois de ler o Salmo 23 para Mercedes Aranda. Não porque o quarto fosse desconfortável, mas porque sua mente se recusava a descansar. Casara-se com uma viúva milionária de sessenta anos por dez mil dólares por mês, um acordo legal para protegê-la de uma família gananciosa e resgatar seus próprios pais de dívidas esmagadoras, mas a primeira coisa que ela lhe pedira não era humilhação, obediência ou intimidade. Ela lhe pedira que lesse até que ela pudesse dormir sem medo.

Aquilo mudou algo nele. Ele ainda não sabia como chamar. Respeito, talvez. Piedade, talvez. Ou talvez fosse o primeiro fio tênue de lealdade, estendendo-se entre duas pessoas que haviam sido encurraladas pelo desespero.

Às sete da manhã, Diego caminhou em direção à ala de serviço, com a intenção de verificar as bombas da piscina, como fazia antes de se tornar o marido legal da dona da casa. Velhos hábitos eram mais fáceis do que novos títulos. A governanta, Sra. Alvarez, quase deixou cair uma bandeja ao vê-lo no corredor vestindo uma camisa branca impecável em vez de seu uniforme desbotado de zelador.

“Sr. Martinez”, disse ela, tropeçando nas palavras.

Diego parou. “Por favor, não me chame assim.”

Seus olhos suavizaram por meio segundo, mas o medo logo retornou. “Foi o que a patroa mandou.”

Antes que ele pudesse responder, uma voz áspera soou por trás deles. “Que comovente. O noivo já está fingindo que odeia ser rico.”

Diego se virou e viu Rodrigo Aranda parado no final do corredor, vestido com um terno azul-marinho caro que parecia perfeito demais para o café da manhã. Ele estava perto dos quarenta, bonito de um jeito frio, com o cabelo bem penteado, sapatos engraxados e um sorriso que nunca chegava aos olhos. Diego só o vira uma vez antes, de longe, discutindo com Mercedes no jardim.

Rodrigo olhou Diego de cima a baixo como se estivesse inspecionando um carro usado. “Então este é o mais recente investimento da minha tia.”

Diego manteve-se firme. “Bom dia.”

Rodrigo riu baixinho. “Não se faça de nobre. Ainda não combina com você.”

A Sra. Alvarez baixou os olhos e desapareceu na cozinha. Diego entendeu imediatamente que Rodrigo não era apenas antipatizado naquela casa. Era temido. O tipo de medo que as pessoas sentem quando veem alguém punir pequenas desobediências por anos.

Rodrigo aproximou-se. “Sabe, eu tentei convencer a tia Mercedes de que casar com um empregado a faria parecer instável. Mas ela sempre gostou de provar que todos estavam errados.”

“Ela não é instável”, disse Diego.

O sorriso de Rodrigo se desfez. “Você é marido dela há menos de vinte e quatro horas. Cuidado com a rapidez com que finge conhecê-la.”

O maxilar de Diego se contraiu, mas ele não disse nada. Seu pai lhe ensinara que homens raivosos frequentemente revelavam mais informações do que os calmos. Então, ele deixou Rodrigo falar.

Rodrigo se inclinou para frente, baixando a voz. “Seja lá o que ela tenha lhe prometido, eu posso dobrar. Vá embora antes que você se envolva em uma briga que não entende.”

Diego o observou. “Se você pode dobrar, por que está tão preocupado?”

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