Marfim. Estruturado. Rosas desabrochando em camadas pela saia como um jardim que alguém cultivou durante a noite.
Aproximei-me.
Havia algo dentro de uma das rosas. Pequenas costuras, talvez palavras, escondidas nas dobras do tecido onde você teria que levantar a pétala para ver.
Estendi a mão, depois parei.
Isso não era meu para abrir.
Cobri Eli com um cobertor da cama dele e apaguei a luz.
Voltando para casa no escuro, entendi.
Ele não estava fazendo um vestido.
Ele estava fazendo algo para o qual eu ainda não tinha nome.
O dia do baile chegou mais rápido do que eu estava pronta. Eli estava na nossa varanda com um terno de brechó, um saco de roupas pendurado no braço como algo sagrado.
Hazel abriu a porta do quarto para recusar. Então viu o vestido.
Seda marfim. Volumoso. Rosas desabrochando pela saia como um jardim em movimento.
“Eli”, ela sussurrou. “De onde você…”
“Só veste, Hazelnut.”
Ele usou o apelido do Mason. Minhas pernas quase cederam. Pensei em Mason ensinando ele a dirigir manualmente na nossa garagem no verão antes de morrer, bagunçando o cabelo dele como se fosse um irmão mais novo.
Ela balançou a cabeça, recuando em direção à cama. “Eu não consigo. Eli, eu não consigo.”
Ele não insistiu. Colocou o vestido na cadeira da escrivaninha e sentou no chão, ainda de terno, encostado na estante. “Então eu vou ficar aqui. Seu irmão me fez prometer, antes do acidente. Ele disse que se você ficasse quieta, eu tinha que ser barulhento o bastante pelos dois.”
Ela soltou um som quebrado.
“Uma música”, disse Eli. “Só isso. Depois eu te levo pra casa.”
O silêncio se estendeu. Eu observava do corredor enquanto ela colocava as duas mãos na boca, olhava o vestido, olhava para ele. Então pegou o vestido da cadeira como se não pesasse nada.
Ela desceu as escadas dez minutos depois. Pela primeira vez em um ano, minha filha se olhou no espelho e não se encolheu.
No carro, ela ficou cinza. Na porta do ginásio, parou, uma mão na moldura, a outra apertando a minha tão forte que meu anel machucou.
“Mãe. Eu não consigo entrar lá. Eles estão todos lá dentro.”
“Uma música”, disse Eli baixinho, do outro lado dela. Ele não a tocou. Só estendeu o braço e esperou. “Se você quiser ir embora depois da primeira nota, a gente vai. Eu juro.”
Ela respirou. Soltou o ar. Pegou o braço dele.
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